O homem que corre em direção ao perigo para salvar vidas na arena

O brete abre, o touro dispara e o peão cai. Em uma fração de segundo, enquanto milhares de pessoas prendem a respiração ou gritam nas arquibancadas, um grupo de homens corre na direção do perigo.
Eles são os salva-vidas da arena. Profissionais que colocam o próprio corpo entre o touro e o competidor para criar uma oportunidade de fuga e garantir que, depois de oito segundos de adrenalina, o peão possa sair caminhando.

Entre eles está Maurinho Araújo, conhecido como Maurinho Bull Fighter, que há 19 anos vive essa rotina e há 16 integra o circuito da PBR Brazil. Para ele, muito mais do que uma profissão, estar dentro da arena é um propósito.
“Isso vem de Deus. É um propósito que eu tenho certeza que cada um de nós tem”, afirma.
A missão exige muito mais que coragem. É preciso preparo físico, reflexo, conhecimento sobre o comportamento dos animais e, principalmente, sintonia entre os profissionais.

Na arena, Maurinho e os companheiros trabalham como uma equipe de resgate. Enquanto um acompanha o competidor, os outros observam o touro e se posicionam para intervir no momento certo. Tudo acontece em segundos.
“Tem muito treinamento no dia a dia, muito trabalho e dedicação para a gente conseguir chegar na arena e ter um bom desempenho. Para nós, o mais importante é fazer todos os competidores voltarem bem, do jeito que eles chegam. O público vê o espetáculo e nós o risco”, disse.

Maurinho explica que quando o competidor perde o controle e cai, eles precisam interpretar imediatamente o movimento do touro, escolher a direção e entrar na arena no momento exato. Muitas vezes, isso significa chamar a atenção do animal para longe do peão e se colocar justamente no caminho do perigo.
Por isso, a preparação não acontece apenas durante os rodeios.
Corrida, corda, musculação e jiu-jitsu fazem parte da rotina de Maurinho. O treinamento físico ajuda a construir velocidade e resistência, enquanto a experiência permite antecipar movimentos e tomar decisões em poucos instantes.
“Primeiro de tudo é Deus, que dá a força e o propósito. Depois vem o treino, a família e a sintonia da equipe. É esse conjunto que faz dar certo”, acrescenta.
Uma vida na estrada – A profissão de salva-vidas de arena também significa viver com a mala pronta. Maurinho chegou a Cuiabá pela primeira vez em 2017. Nesta temporada, passou por Sorriso e Juara antes de chegar à capital mato-grossense para mais uma etapa do circuito. São semanas longe de casa, da família e da rotina, compensadas pelo carinho recebido em cada cidade.
“A gente sai de casa, deixa a família da gente, deixa a nossa cidade, mas a gente é bem recebido aqui demais. Estou muito grato pela acolhida de Cuiabá e da plateia”, agradece o profissional.

Em Cuiabá, a sensação é ainda mais especial. Depois de tantos anos na estrada, retornar à capital mato-grossense representa também um momento importante na carreira. “Para mim é muito importante na minha carreira, na carreira da PBR e de todos os meus amigos. A gente está muito feliz de voltar a Cuiabá, tem comida boa, está sempre quente e o povo gosta de rodeio, comparece de verdade.
Mas enquanto o público comemora uma grande montaria, existe outro espetáculo acontecendo dentro da arena. É o trabalho silencioso desses homens que correm para o perigo enquanto todos correm para longe dele.
Maurinho sabe que sua profissão tem riscos. Mas também sabe que cada entrada na arena tem um objetivo simples e enorme ao mesmo tempo, o de proteger quem está ali. Quando a poeira baixa, o touro deixa a arena e o peão se levanta, vem a recompensa que não está na nota e não está no troféu. “A recompensa é saber que a nossa missão foi cumprida, todos entraram para competir e todos puderam voltar para casa”, finaliza.
Assessoria de imprensa da PBR






