Novas lagartixas são descobertas no Camboja

Novas lagartixas são descobertas no Camboja

Estudos conduzidos em áreas remotas da província de Battambang, no Camboja, descobriram novas espécies de lagartixa. Já foram confirmadas três espécies até então desconhecidas. Uma foi batizada de Cyrtodactylus kampingpoiensis, outra de Dixonius noctivagus e a terceira recebeu o nome científico de Hemiphyllodactylus khpoh.

Foram encontradas quatro populações de Cyrtodactylus kampingpoiensis, em locais separados por vários quilômetros. Por isso, é possível que sejam quatro espécies diferentes. Testes genéticos irão solucionar essa dúvida.

Dixonius noctivagus — Foto: Reprodução/Hun Seiha/Fauna & Flora
Dixonius noctivagus — Foto: Reprodução/Hun Seiha/Fauna & Flora

“Embora tenham sido descritos como apenas uma espécie, o isolamento geográfico das formações cársticas que habitam provavelmente indica que essas quatro populações estão em trajetórias evolutivas separadas”, diz o comunicado da ONG Fauna & Flora, que conduziu os estudos junto com cientistas da Universidade de La Sierra (EUA) e membros do Ministério do Meio Ambiente do Camboja. A pesquisa está sendo financiada por um fundo da União Europeia.

Os estudos feitos no Camboja se debruçam sobre um aspecto muito interessante da evolução dos seres vivos: a especiação alopátrica. Quando vários indivíduos de uma espécie se separam geograficamente, essa população isolada se adapta e evolui de forma independente. Eventualmente, tal grupo é submetido a modificações tão significativas que passa a ser considerado uma nova espécie.

Esse fenômeno é comum em regiões cársticas, locais em que a corrosão das rochas cria cavernas, paredões e dolinas – facilitando a separação de indivíduos de uma mesma espécie. A localidade em que as lagartixas foram encontradas tem essas caracteríticas.

“Espécies pequenas e enigmáticas como essas lagartixas recém descritas muitas vezes passam despercebidas. No entanto, cada uma delas é um produto único de milhões de anos de evolução, perfeitamente adaptada a seu próprio afloramento calcário, moldada por uma dança lenta e intrincada entre geologia e biologia”, diz Pablo Sinovas, um dos pesquisadores envolvidos nos estudos. “Trazê-las à luz é apenas o começo de uma jornada emocionante, que esperamos que leve à proteção dessas paisagens cársticas extraordinárias”, complementa.

(Redação Galileu)

Atos & Fatos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?