Nova pesquisa usa IA para restaurar pinturas danificadas em questão de horas

A restauração de obras de arte envolve a paciência e a habilidade de reparar nos mínimos detalhes. Restaurar uma única pintura, por exemplo, pode levar semanas ou até anos de trabalho. Porém, uma pesquisa apresentou uma nova forma de revitalizar obras com a ajuda de inteligência artificial (IA).
Reconstruções digitais de quadros já existem, mas a aplicação dessas restaurações sobre obras originais ainda era um desafio. Alex Kachkine, estudante de engenharia mecânica no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), apaixonado por arte desde criança, decidiu desenvolver uma ferramenta que pudesse tanto acelerar quanto baratear os processos de restauração.
“70% das pinturas de coleções institucionais estão fora da vista do público, em parte devido ao alto custo desses tratamentos”, diz em seu estudo publicado na revista científica Nature, nesta quarta-feira (11).
Detalhe por detalhe
O método criado por Kachkine consiste na impressão de uma restauração digital em filmes poliméricos muito finos que podem ser aplicados na pintura original. O interessante é que eles também podem ser retirados a qualquer momento, sem danificar a obra.
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Para testar a invenção, o pesquisador usou uma pintura a óleo do século 15 que estava bastante deteriorada. Partindo da reconstrução computacional, o procedimento identificou e preencheu 5.612 áreas danificadas, utilizando 57.314 cores diferentes. Todo o processo durou 3,5 horas, o que Kachkine estima ser 66 vezes mais rápido que uma restauração manual convencional.
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Após o escaneamento da pintura, algoritmos de inteligência artificial foram usados para criar uma versão digital de como a obra seria originalmente. A partir daí, um software desenvolvido pelo pesquisador mapeou as regiões necessárias a serem restauradas, junto com suas cores correspondentes.
O mapa, então, foi convertido para camadas à base de polímeros, que podem ser facilmente dissolvidas após a aplicação na pintura. Veja o resultado no vídeo a seguir:
“Como existe um registro digital da máscara que foi usada, daqui a 100 anos, quando alguém voltar a trabalhar nessa pintura, terá uma compreensão extremamente clara do que foi feito”, explica Kachkine, em comunicado, sobre a vantagem de ter acesso ao histórico das alterações para os futuros restauradores.
Juntar o autor à obra
Kachkine conta que princípios éticos de conservação de pinturas foram aplicados na construção do projeto.Ele afirma que seu novo método deve sempre ser acompanhado da consulta de restauradores que conheçam a história e a origem da obra, garantindo que o resultado esteja alinhado ao estilo e à intenção do artista.
A pesquisa tem o potencial de recuperar rapidamente obras altamente danificadas, de forma que pinturas guardadas sem tratamento por séculos agora terão uma alternativa para serem exibidas ao público. “Restauradores que utilizarem a técnica de mascaramento laminado terão uma grande flexibilidade no planejamento das restaurações, com resultados simulados que se aproximam muito dos realizados fisicamente”, conta Kachkine, no estudo.
(Por Fernanda Zibordi)






