Nova espécie de escorpião descoberta na Colômbia pode espirrar veneno

O escorpião é uma das criaturas mais venenosas do planeta; seu veneno, liberado por sua picada, é responsável por diversos acidentes domésticos, podendo até causar a morte. No entanto, algumas espécies possuem a habilidade de pulverizar o veneno sem a necessidade de picar. Antes registrada apenas na América do Norte e na África, uma espécie que realiza essa pulverização foi identificada pela primeira vez na América do Sul, na Colômbia.
A nova espécie, batizada Tityus achilles, foi divulgada em dezembro de 2024 em um artigo no Zoological Journal of the Linnean Society. A descoberta ocorreu no departamento de Cundinamarca, onde está localizada Bogotá, a capital colombiana, em uma área montanhosa da floresta tropical de Magdalena. Antes dessa identificação, apenas dois outros gêneros, localizados na África e na América do Norte, haviam sido documentados com essa habilidade.
A pulverização de veneno é um comportamento raro entre as cerca de 2 mil espécies de escorpiões conhecidas. Normalmente, esse aracnídeo injeta seu veneno por meio de sua cauda, conhecida como metassoma, onde estão localizados o télson (o ferrão responsável pela inoculação da substância) e as glândulas produtoras de veneno.
No caso dos escorpiões que pulverizam veneno, o contato físico direto não é necessário. O animal é capaz de disparar um jato de toxina na face de seu predador, o que pode ser o suficiente para distraí-lo e permitir a fuga do escorpião — não necessariamente matando seu oponente.
A anatomia do Tityus achilles indica que o jato tóxico pode ser direcionado especificamente aos olhos e ao nariz. No entanto, essa estratégia não é tão eficaz quanto a picada, já que o jato pode não atingir o alvo desejado com precisão.
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“Essas toxinas precisam atingir tecidos muito sensíveis para realmente fazer efeito”, explica Léo Laborieux , aluno de mestrado na Ludwig Maximilian University de Munique, na Alemanha, e autor do artigo, em entrevista ao portal Live Science. “Para que isso faça sentido, o predador tem que ser um vertebrado. As toxinas dificilmente penetrariam no exoesqueleto de outro invertebrado.”
O jato de veneno do T. achilles foi testado em laboratório, onde 10 escorpiões jovens foram colocados em canudos para observar suas emissões de veneno. Ao todo, foram registradas 46 ejeções, com uma distância máxima de 36 centímetros. A maioria dos jatos de veneno foi direcionada para frente. Em determinados momentos, os escorpiões liberaram pequenas gotas de veneno como resposta ao canudo, enquanto em outros, dispararam jatos contínuos.
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O aspecto transparente da pulverização sugere que o borrifo seja uma espécie de pré-veneno, uma toxina liberada antes do veneno propriamente dito, que é mais potente e possui uma coloração leitosa. “O veneno em si é geralmente composto de peptídeos e proteínas de maior peso molecular, que são muito maiores e, por essa razão, muito mais caros de produzir “, conta Laborieux.
Como o T. achilles também é capaz de picar, é possível deduzir que a pulverização consiste em um mecanismo de defesa mais conservador. “A pulverização de veneno é uma estratégia inerentemente cara”, o pesquisador acrescenta. “Provavelmente há uma pressão de seleção muito intensa que faria com que o comportamento fosse mais vantajoso do que desvantajoso. Tem que haver algo acontecendo com os predadores no ambiente.”
(Por Redação Galileu)






