Neymar, Virgínia, Galvão Bueno e influenciadores entram na mira de ofensiva contra propaganda de bets

Neymar, Virgínia, Galvão Bueno e influenciadores entram na mira de ofensiva contra propaganda de bets
Ponto central do debate é a força da influência | Foto: Ilustração

A publicidade das bets voltou ao centro do debate no Congresso, agora com foco direto em influenciadores digitais, artistas, atletas e comunicadores que emprestam imagem e credibilidade às plataformas de apostas. Em audiência no Senado, especialistas defenderam o fim da propaganda feita por celebridades, sob o argumento de que esse tipo de divulgação amplia o alcance das casas de apostas e atinge especialmente públicos vulneráveis.

A discussão ocorre depois de o Senado aprovar o PL 2.985/2023, que restringe a publicidade das apostas de quota fixa e proíbe anúncios ou ações promocionais com atletas, artistas, comunicadores, influenciadores ou autoridades. O texto foi enviado à Câmara dos Deputados, onde ainda precisa ser analisado.

Na prática, uma eventual aprovação definitiva pode atingir uma fonte milionária de receita para nomes conhecidos do entretenimento, das redes sociais e do esporte. Entre os famosos já associados publicamente à divulgação de bets estão Virgínia Fonseca, Neymar, Felipe Neto, Galvão Bueno, Deolane Bezerra, Ronaldo Fenômeno, Michel Teló e Vini Jr.

O ponto central do debate é a força da influência. Para os defensores das restrições, quando uma plataforma aparece associada a um ídolo do futebol, a um apresentador ou a um influenciador com milhões de seguidores, a aposta deixa de parecer uma operação de risco e passa a ser vendida como entretenimento comum.

Na audiência, Jéssica Lobo, que se autointitula “desinfluenciadora de jogos de aposta”, afirmou que passou a atuar contra a divulgação das bets após a perda da irmã, Ângela Maria, em dezembro de 2023. Segundo ela, a família descobriu transferências de recursos para plataformas de apostas, e o vício havia comprometido gravemente a situação financeira da irmã.

“No mínimo, a gente precisa acabar com essa propaganda ‘para ontem’. São justamente os grandes influenciadores que fazem as pessoas voltarem a jogar”, afirmou Jéssica. Segundo ela, há casos de pessoas que ficam meses sem apostar, mas recaem depois de ver publicidade ou influenciadores promovendo bets.

Representantes de órgãos de defesa do consumidor e do controle público também afirmaram que a publicidade massiva das apostas pressiona famílias, serviços de saúde e defensorias públicas. A consultora do Conselho Diretor do Instituto de Defesa de Consumidores em Serviços Financeiros, Ione Amorim, disse que as regras atuais ainda são insuficientes para enfrentar impactos como superendividamento e pressão sobre serviços públicos.

“A publicidade está em todos os lugares e está no celular 24 horas por dia. A aposta pode ser individual, mas o preço é coletivo”, afirmou Ione.

Luciana Telles da Cunha, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, defendeu o fortalecimento dos Centros de Atenção Psicossocial e das defensorias para lidar com casos de endividamento e dependência relacionados às bets. Para ela, também é preciso investir em campanhas de conscientização e contrapropaganda.

“É preciso dizer com todas as letras que se trata de jogo de azar. A banca sempre ganha”, disse Luciana.

Na mesma linha, Marcelo Chaves Aragão, representante do Tribunal de Contas da União, afirmou que a combinação entre propaganda massiva, celebridades, influenciadores e ausência de medidas efetivas de prevenção pode pressionar a política pública de saúde.

“Se não houver essa restrição, vamos continuar enxugando gelo”, alertou.

Edilson Almeida | Redação RDM Brasilia

Astrogildo Aécio Nunes

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