Naufrágio na costa da Espanha guarda 27 canhões e carga de prata preservada

Durante um procedimento de dragagem, que consiste na varredura do fundo de corpos d’água, trabalhadores da costa de Cádiz, na Espanha, acabaram por realizar uma descoberta surpreendente: restos de um naufrágio de uma embarcação do século 17, junto com 27 canhões e 18 lingotes de prata. Um cenário digno de histórias de piratas.
Tendo recebido a designação provisória de “Delta I”, o naufrágio da Baía de Cádiz é uma das descobertas subaquáticas mais importantes em águas da região de Andaluzia nos últimos anos, segundo o site HeritageDaily.
Tesouros retornando à superfície
A investigação arqueológica para identificar informações históricas da embarcação foi liderada por Ernesto Toboso Suárez e Josefa Martí Solano, do Centro de Arqueologia Subaquática do Instituto Andaluz do Património Histórico (IAPH). O içamento do navio para fora d’água ocorreu em julho de 2024, após quatro meses de trabalho subaquático em documentar e recuperar adequadamente o material antigo.
Com o uso de guindastes para retirar a estrutura do fundo do mar, os restos do “Delta I” foram depositados no Dique nº 5 da Baía de Cádiz para um estudo detalhado. A partir da análise dos artefatos recuperados, os cientistas afirmam que o navio foi construído no contexto cultural ibero-atlântico e esteve em operação na França durante o século 17.
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Os canhões foram identificados como sendo de origem sueca e que provavelmente chegaram ao Mar Mediterrâneo através de intermediários holandeses. Nenhuma das estruturas de madeira dos canhões foi encontrada, o que leva os arqueólogos a acreditarem que alguns dos canhões já estavam desativados quando o naufrágio ocorreu.
Já os lingotes de prata chamam atenção por trazerem a data de 1667 gravada, o que ajudou a equipe arqueológica a definir a data da carga e estimar a época de construção da embarcação.
Pistas sobre o comércio marítimo
Uma teoria empolgante proposta é que a carga encontrada no naufrágio teria feito parte de um esquema de contrabando marítimo ilegal. No século 17, Cádiz era conhecida por ser um centro comercial importante devido a sua região portuária e, por consequência, sua atividade comercial marítima.
Porém, a Coroa Espanhola tinha um controle rígido do movimento das mercadorias por seus territórios de domínio, exercendo fiscalização e tributação pesada. Uma alternativa para burlar esse controle era através do contrabando e do uso de rotas comerciais não oficiais. O fato do navio ter sido encontrado com tesouros e armas colabora para a possibilidade de conflitos navais influenciados por interesses econômicos.
Ainda assim, mais investigações são necessárias pela região da Baía de Cádiz, que possui um potencial arqueológico imenso: além do Delta I, outros naufrágios já foram descobertos por lá, como o Delta II e Delta III. O estudo dessas embarcações podem revelar mais informações sobre antigas dinâmicas comerciais do Atlântico.
(Por Fernanda Zibordi)






