O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) escolheu Mato Grosso, um dos principais redutos eleitorais do bolsonarismo no país, para uma agenda com forte simbolismo político. Em sua primeira visita ao Estado desde que entrou oficialmente na disputa pelo Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (31), ele foi a uma aldeia da etnia Haliti-Paresi, em Campo Novo do Parecis, para se reunir com lideranças indígenas e conhecer o modelo de produção agrícola desenvolvido pela comunidade.
A visita foi articulada pelo deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) e por Odílio Balbinotti, coordenador da campanha presidencial de Flávio em Mato Grosso. Além das reivindicações da comunidade, a agenda aproxima o candidato de um grupo de indígenas que mantém relação histórica com o bolsonarismo e tem na defesa da produção agrícola dentro dos territórios uma de suas principais bandeiras.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, lideranças Haliti-Paresi estiveram entre os grupos indígenas que se aproximaram do então presidente e defenderam maior autonomia para explorar economicamente parte das terras. Em 2022, integrantes da etnia declararam apoio à reeleição de Bolsonaro e participaram de mobilizações em defesa do então presidente. A pauta da produção agrícola foi um dos principais pontos de convergência entre essas lideranças e o governo

A relação não é nova também para Flávio. Em agosto de 2022, ainda durante a campanha presidencial do pai, o senador esteve em Campo Novo do Parecis para se reunir com produtores rurais da região e buscar apoio e doações para a campanha de Jair Bolsonaro. Agora, retorna ao município como candidato à Presidência.
Nesta segunda, Flávio conheceu de perto a estrutura de produção dos indígenas e ouviu as dificuldades enfrentadas pelas cooperativas. O cacique Arnaldo apresentou reivindicações da comunidade, enquanto representantes dos produtores explicaram o funcionamento das lavouras e os obstáculos para ampliar a atividade dentro dos territórios.
Uma das principais demandas levadas ao presidenciável é a criação, pelo Governo Federal, de um fundo garantidor destinado aos produtores indígenas. As lideranças argumentam que, como as terras indígenas pertencem à União e não podem ser oferecidas como garantia, as cooperativas enfrentam dificuldades para acessar linhas convencionais de financiamento bancário.
Apesar de terem autorização para desenvolver a atividade agrícola, os produtores relatam obstáculos para obter crédito destinado à aquisição de sementes, insumos, máquinas e implementos. A proposta defendida pelas lideranças é que o fundo assuma parte das garantias exigidas pelas instituições financeiras e facilite o acesso aos recursos.
A agricultura mecanizada desenvolvida por grupos Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki na região ganhou projeção nacional nos últimos anos. O modelo inclui produção de grãos por meio de cooperativas indígenas e foi incentivado durante o governo Bolsonaro como exemplo de geração de renda e autonomia econômica nas aldeias.
A passagem por Campo Novo do Parecis abre a agenda eleitoral de Flávio em Mato Grosso e também sinaliza uma tentativa de preservar uma das pontes construídas pelo bolsonarismo no Estado: a aproximação com lideranças indígenas que defendem a exploração agrícola controlada de parte dos territórios como caminho para geração de renda e independência econômica.
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(Leiagora)







