MT fecha primeiro semestre com 25 feminicídios e já alcança metade dos casos de 2025

O primeiro semestre de 2026 terminou com 25 mulheres vítimas de feminicídio em Mato Grosso. Poucos dias após o encerramento de junho, o Estado registrou mais um caso e chegou a 26 feminicídios no ano, número que já representa quase metade dos 53 casos contabilizados durante todo ano de 2025.
Por trás das estatísticas estão histórias marcadas pela violência extrema, que chocaram o Estado e tiveram ampla repercussão no .
O primeiro feminicídio de 2026 foi registrado em 11 de janeiro, em Nova Maringá. Laila Carolina Souza da Conceição, de 29 anos, foi assassinada a facadas dentro de casa, na frente do filho. O companheiro foi preso em flagrante e confessou o crime à Polícia Civil.
Quatro meses depois, em Cuiabá, outro caso ganhou repercussão pela tentativa de ocultação. A empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, foi assassinada pelo marido, Jackson Pinto da Silva, que enterrou o corpo da vítima em uma cova com mais de dois metros de profundidade, nos fundos da residência.
Para despistar familiares e investigadores, ele simulou o desaparecimento da esposa e chegou a inventar um falso sequestro. Na última quinta-feira (09), a Justiça determinou que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Outro caso que revoltou a população ocorreu em Várzea Grande. Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, foi encontrada parcialmente carbonizada em um terreno baldio. Conforme as investigações, ela foi morta após recusar manter relações sexuais com o suspeito, que confessou ter incendiado o corpo da vítima para tentar eliminar vestígios do crime.
Embora diferentes, os três casos retratam uma realidade que permanece presente em Mato Grosso. Levantamento do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), mostra que os feminicídios registrados em 2026 já deixaram 32 crianças e adolescentes órfãos, evidenciando que a violência atinge não apenas as vítimas, mas também famílias inteiras.
Os dados revelam ainda que a maior parte dos crimes continua acontecendo dentro de casa. Dos 26 feminicídios registrados neste ano, 20 ocorreram em residências — 13 na casa do agressor e sete na residência da vítima. Outros quatro aconteceram em via pública, um em propriedade rural e um em outro local.
Outro padrão que se repete é o perfil do autor. Em 17 dos 26 casos, o feminicídio foi praticado por companheiros, ex-companheiros ou namorados das vítimas, reforçando que a violência doméstica e familiar continua sendo o principal cenário desse tipo de crime.
Entre as motivações identificadas, predominam ciúme, sentimento de posse, machismo e menosprezo à condição de mulher, com nove casos cada. Em outras quatro ocorrências, o crime foi motivado pela separação ou tentativa de rompimento do relacionamento.
Junho concentrou mais casos
Entre janeiro e junho, junho foi o mês mais violento, com sete feminicídios registrados. Março aparece na sequência, com seis casos. Janeiro e abril contabilizaram três ocorrências cada, fevereiro teve duas e maio registrou quatro vítimas.
Cuiabá e Várzea Grande lideram o número de feminicídios em 2026, com três casos cada. Na sequência aparecem Tangará da Serra e Vila Bela da Santíssima Trindade, ambas com dois registros.
Até o momento, 13 casos já resultaram em denúncia oferecida pelo Ministério Público, enquanto outros seguem em diferentes fases da investigação e tramitação judicial.
(VGN)






