Justiça Eleitoral defere pedido de habilitação da Coligação Coragem Para Mudar como assistente de acusação em ação contra prefeito de Brasnorte

Justiça Eleitoral defere pedido de habilitação da Coligação Coragem Para Mudar como assistente de acusação em ação contra prefeito de Brasnorte
Assessoria

A Justiça Eleitoral deferiu o pedido de habilitação da Coligação Coragem Para Mudar, integrada pelos partidos PL, PP, PMB e Republicanos, como assistente de acusação na ação proposta pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra o prefeito de Brasnorte (576 km de Cuiabá), Edelo Ferrari (UB). A banca de advogados que representa a Coligação Coragem Para Mudar no processo é composta por Carlos Hayashida, Patrick Sharon e Hugnei Santos Moraes, todos com atuação destacada na área eleitoral.

Além do prefeito, a vice-prefeita Roseli Gonçalves e o vereador Gilmar Celso Gonçalves também são alvos da ação e podem perder seus respectivos cargos caso as acusações sejam julgadas procedentes.

De acordo com o MPE, o trio, com o auxílio de servidores públicos, teria promovido compra de votos, aliciamento de indígenas para transferência de domicílio eleitoral e transporte irregular de eleitores.

O advogado da coligação, Hugnei Santos Moraes, ressaltou a relevância da habilitação no processo: “A Coligação, o Partido e seu candidato possuem interesse jurídico direto no desfecho da presente ação, uma vez que as práticas narradas comprometem a vontade popular e interferem no resultado das eleições. Além disso, a propositura de uma nova demanda, com a mesma causa de pedir, provas e partes, geraria uma verdadeira confusão processual.”

Denúncia de irregularidades

A decisão que deferiu a habilitação foi proferida nesta terça-feira (7). O juiz do caso determinou a citação dos réus para apresentação de defesa, juntada de documentos e indicação de testemunhas no prazo de cinco dias.

A ação teve início com um vídeo em que um indígena da etnia Enawene Nawe acusava o vereador Gilmar Celso Gonçalves de fretar dois ônibus para transportar indígenas para votarem nas eleições municipais em Brasnorte. A denúncia foi confirmada posteriormente.

No dia da eleição, militares do Exército impediram o transporte irregular, o que gerou uma confusão na aldeia. Os indígenas chegaram a embarcar nos ônibus, mas desistiram após a intervenção de um cacique. Conforme o MPE, os ônibus foram contratados por servidores municipais ao custo de R$ 17 mil.

Embora o território dos Enawene Nawe esteja mais próximo de outros municípios, o atendimento de saúde realizado em Brasnorte teria sido usado como justificativa para a transferência de domicílio eleitoral em massa.

“Não havia eleitores Enawene Nawe registrados em Brasnorte até o final de 2023, o que causou estranheza ao Cartório Eleitoral diante da procura repentina e maciça de indígenas para transferir o domicílio eleitoral”, diz a denúncia.

Pedidos do Ministério Público Eleitoral

O MPE pede a cassação do registro de candidatura do prefeito, da vice-prefeita e do vereador Gilmar, além de torná-los inelegíveis por oito anos a partir de 2024. A denúncia também alcança servidores envolvidos nas irregularidades.

Com a habilitação da Coligação Coragem Para Mudar como assistente de acusação, o processo ganha reforço na apuração das irregularidades e na busca pela preservação da lisura do processo eleitoral.

 

 

 

Astrogildo Aécio Nunes

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