“Jarro da morte” de 1200 anos achado na Ásia reúne ossadas de diferentes gerações

“Jarro da morte” de 1200 anos achado na Ásia reúne ossadas de diferentes gerações
Ao longo das décadas, milhares de vasos funerários centenários foram encontrados no Sudeste Asiático, o que levou especialistas a os consideraram como uma etapa de um complexo processo fúnebre — Foto: Nicholas Skopal

Um jarro funerário encontrado por arqueólogos no Laos foi utilizado para coletar os restos mortais de várias gerações de pessoas há cerca de 1.200 anos. Chamado de “Vaso 1”, o artefato é o primeiro do seu tipo a conter restos humanos intactos. Além disso, a descoberta comprova que vasos funerários centenários eram utilizados para sepultamentos, uma hipótese levantada há décadas por arqueólogos. as descobertas foram publicadas em um artigo da revista científica Antiquity nesta terça-feira (19).

O vaso de 2,05 metros de diâmetro é um entre os dois mil jarros de pedra ocos já encontrados no Sítio 75, localizado no Planalto de Xieng Khouang, no norte do Laos. Com tamanhos variados, eles foram construídos ao longo de rotas comerciais utilizadas entre 500 a.C. e 500 d.C. e eram utilizados em antigos rituais funerários.

“Queria guardar você em um potinho”

É difícil fazer jus ao tamanho do objeto encontrado apenas com palavras, mas, nas palavras de Nicholas Skopal, da Universidade James Cook (Austrália), trata-se de “um dos maiores jarros atualmente conhecidos no Laos”. Em entrevista ao LiveScience, ele o descreveu como um artefato com paredes espessas, uma base larga e uma aparência semelhante a uma tigela.

Além de se saber pouco sobre a civilização que os fabricou, o seu verdadeiro propósito continua um mistério. Mas, frente à grande quantidade de ossos humanos encontrados no interior do Vaso 1, os especialistas apostam quase todas as suas fichas nos ritos fúnebres antigos.

Essa suposição é sustentada por outro fator: os ossos encontrados provinham de partes específicas de indivíduos em decomposição. Crânios, por exemplo, estavam dispostos ao longo das bordas do jarro, enquanto os ossos de braços e pernas estavam agrupados. Essa disposição sugere que o jarro não era o local principal de sepultamento.

Um dos menores jarros encontrados no Sítio 75, no Laos, pelo arqueólogo Nicholas Skopal — Foto: Nicholas Skopal
Um dos menores jarros encontrados no Sítio 75, no Laos, pelo arqueólogo Nicholas Skopal — Foto: Nicholas Skopal

Acontece que a datação por radiocarbono dos dentes ali encontrados acrescentaram mais camadas à história: as datas de algumas arcadas eram muito mais recentes do que se esperava, variando entre os anos 890 e 1160.

Entre os membros estavam os ossos de crianças e adultos, uma evidência que também sugere que “este era um espaço funerário coletivo usado repetidamente ao longo de gerações, possivelmente por famílias extensas ou grupos comunitários”, explicou Skopal. No entanto, ele reforça que mais pesquisas são necessárias para entender melhor quem eram essas pessoas.

Passar desta para o vaso

As funções dos jarros de pedra sempre foram objeto de especulações entre os arqueólogos, mas a nova escavação chega a suposições mais concretas. Afinal, encontrar ossos humanos dentro dos jarros é uma pista que pode finalmente responder a uma das hipóteses, isto é, a de que eles serviam como recipientes mortuários para sepultamentos secundários.

A questão é que ainda não é claro se todos os jarros serviam para o mesmo propósito ou se este, em particular, fazia parte de um costume local. Para chegar a uma conclusão, é preciso que os especialistas analisem com cautela até outras pesquisas e escavações encontrem sepultamentos semelhantes.

Junto aos ossos do Vaso 1, os escavadores encontraram contas de vidro coloridas, que poderão ajudar os arqueólogos a entenderem melhor a cultura da Planície dos Jarros, as comunidades que ali viveram e as suas práticas funerárias. Isso porque, provavelmente, esses itens eram componentes importantes do ritual fúnebre

Junto às ossadas, os escavadores também encontraram contas de vidro multicoloridas, muitas delas fabricadas na Índia — Foto: Nicholas Skopal
Junto às ossadas, os escavadores também encontraram contas de vidro multicoloridas, muitas delas fabricadas na Índia — Foto: Nicholas Skopal

(Por Júlia Sardinha)

Astrogildo Aécio Nunes

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