Indústria de carne bovina considera ‘inaceitável’ esperar dois anos para voltar a exportar à União Europeia

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, classificou como “inaceitável” a possibilidade de o Brasil ter de esperar dois anos para retomar as exportações de carne bovina à União Europeia e defendeu que o país adote medidas de reciprocidade comercial caso o bloco mantenha a exigência.
“Dois anos é inaceitável para o Brasil. Se for assim, nós queremos parar de importar azeite da Europa, parar de importar tudo que é queijo da França, tudo o que a gente puder parar de importar, vamos parar de importar por dois anos também”, afirmou o dirigente nesta quinta-feira ao Valor, às margens do Global Agribusiness Fórum, em São Paulo.
O ministro da Agricultura, André de Paula, disse, na quarta-feira (30/9),a ao Valor que as tratativas continuam para tentar minimizar os impactos na cadeia bovina, mas que a UE insiste em avaliar os controles brasileiros somente após o ciclo completo de vida dos animais, que dura ao menos dois anos.
“Temos um protocolo desenvolvido pela cadeia produtiva e esse protocolo está em aplicação. Queremos que a União Europeia considere o esforço brasileiro e dê um tempo maior para que a gente possa adequar a nossa produção para não interromper o fluxo comercial”, observou Perosa.
A um grupo de jornalistas estrangeiros, o presidente da Abiec falou sobre a sustentabilidade e capacidade produtiva da cadeia pecuária brasileira.
ABPA: Exportações de carne de frango está em análise
Segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a retomada das exportações de carne de frango para a União Europeia está em análise após dois representantes do bloco realizarem uma auditoria no Brasil. “A gente já rodou um ciclo de vida dos frangos e mostrou que a gente segrega e não usa de antimicrobianos como promotores de crescimento”.
Santin afirmou ao Valor que os auditores disseram “de maneira categórica” que o Brasil cumpre o regulamento de uso de antimicrobiano da União Europeia. Sem poder acelerar o processo, a entidade aguarda a decisão do bloco. “Nossa parte a gente fez. Vamos agora aguardar a decisão”.
Quase um mês após a suspensão das exportações, em 3 de setembro, Santin afirma que não houve prejuíz, porque a carne de frango para exportação foi realocada para outros mercados compradores. “A Europa é importante para o Brasil, é formadora de preço, mas é menos de 7% das nossas exportações. No ano passado, nós ficamos mais de 4 meses sem vender para a Europa e não tivemos prejuízo”.
Por Danton Boatini Júnior e Marcos Fantin — São Paulo






