HPV cresce no Carnaval e acende alerta médico

HPV cresce no Carnaval e acende alerta médico
Fotos: Divulgação

Confete no ar, glitter no rosto e milhões de brasileiros celebrando nas ruas. O Carnaval é tempo de festa, liberdade e encontros. Mas, em meio à folia, médicos fazem um alerta importante: o aumento das relações ocasionais pode ampliar a exposição ao HPV, vírus associado ao câncer de colo do útero. Últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2023 mostram taxa de infecção pelo HPV (papiloma vírus humano) atinge 54,4% das mulheres que já iniciaram a vida sexual e 41,6% dos homens.

Segundo o médico oncologista Dr. Wilson Garcia, o alerta não deve ser moralista, mas informativo. “O Carnaval não causa câncer. O que pode acontecer é um aumento da exposição ao HPV quando há relação sexual sem proteção. Esse vírus é extremamente comum e, na maioria das vezes, não apresenta sintomas”, explica.

O HPV (Papilomavírus Humano) é considerado a infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo. A maior parte das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus ao longo da vida. Em muitos casos, o próprio organismo elimina a infecção. No entanto, quando o vírus persiste, pode provocar alterações celulares que evoluem para o câncer de colo do útero

“O problema é que a mulher pode contrair o HPV hoje e só descobrir uma lesão anos depois, em um exame de rotina. Por isso o acompanhamento ginecológico regular é fundamental”, afirma o médico.

Dr Wilson Garcia pontua que o preservativo reduz significativamente o risco de transmissão, mas não oferece proteção absoluta, já que o HPV pode ser transmitido pelo contato pele na região genital. “A camisinha é indispensável e deve ser usada sempre, mas ela não elimina completamente o risco. Por isso falamos em prevenção combinada: preservativo, vacina e exame preventivo. Lembrando que a vacina do HPV está disponível 100% gratuita pelo SUS a partir dos 09 anos para meninas e meninos. A vacina é altamente eficaz protegendo contra o câncer do colo de útero em 90% das vezes”, reforça Garcia.

O especialista também destaca que a vacina contra o HPV é uma das principais ferramentas de prevenção, especialmente quando aplicada antes do início da vida sexual, mas também pode beneficiar adultos dentro das faixas indicadas pelo Ministério da Saúde.

Além da vacinação, o exame preventivo (Papanicolau) continua sendo essencial. “O câncer de colo do útero é altamente prevenível quando identificado nas fases iniciais. O exame detecta alterações antes mesmo de virar câncer. Quando a mulher faz o acompanhamento corretamente, as chances de cura são muito altas”, destaca o oncologista.

Silencioso e evitável – O câncer de colo do útero costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Quando aparecem sinais como sangramento fora do período menstrual, dor pélvica ou dor durante a relação sexual, a doença pode já estar em estágio mais avançado.

“Lembrando que a relação sexual desprotegida promove também uma transmissão do vírus da hepatite B, Epstein–Barr Vírus (herpes) e outras doenças sexualmente transmissíveis, além do HIV/AIDS”, acrescenta.

Para o especialista, o período pós-Carnaval pode ser um momento estratégico para reforçar o autocuidado. “A mensagem não é deixar de viver, mas viver com responsabilidade. Informação e prevenção são as maiores aliadas da saúde da mulher”, alerta Wilson Garcia.

Astrogildo Aécio Nunes

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