Horóscopo do dia? Centenas de inscritos astrológicos são descobertos no Egito

Horóscopo do dia? Centenas de inscritos astrológicos são descobertos no Egito
Um dos óstracos co inscrição grega encontrados em Athribis — Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

A descoberta foi conduzida por uma equipe egípcio-alemã formada pelo Conselho Supremo de Antiguidades e pela Universidade de Tübingen, na Alemanha, que realiza escavações na região desde 2005. Apenas nos últimos oito anos, mais de 42 mil fragmentos foram recuperados, superando inclusive o acervo de Deir el-Medina, até então considerado o mais importante arquivo de óstracos do Egito.

Esses artefatos funcionavam como verdadeiros “blocos de notas da Antiguidade. Neles, era possível registrar desde transações comerciais até exercícios escolares, criando um retrato contínuo da vida urbana ao longo de diferentes períodos históricos. Em mais de 130 óstracos, por exemplo, os registros estavam relacionados com astrologia, com a inclusão de horóscopos e representações do zodíaco.

A maioria dos textos dos óstracos foram escritos em demótico e hierático, o que indicam que Athribis foi um importante centro de observação e interpretação dos astros. Confira no vídeo a seguir alguns dos inscritos encontrados:

Horóscopo do dia?

Foram identificados documentos administrativos – como recibos de impostos, listas e ordens de entrega – além de exercícios escolares que incluem repetição de textos, listas de números e problemas matemáticos. Em alguns casos, a repetição excessiva sugere práticas disciplinares aplicadas a estudantes. Textos religiosos, como hinos, orações e registros de oferendas, também aparecem com frequência.

Mas, o principal destaque foram os textos sobre os astros celestesOs horóscopos encontrados registravam posições de estrelas e planetas no momento do nascimento de indivíduos, servindo como base para previsões e análises de caráter.

A forte presença desses textos também se conecta à vida religiosa local. Athribis era um centro de culto à deusa Repit, associada ao “Olho do Deus Sol”, que formava uma tríade com o deus Min e a divindade infantil Kolanthes. Nesse contexto, o céu não era apenas observado, mas interpretado omo um espaço onde a vontade divina se manifestava.

Óstraco fragmentário com texto escolar em escrita hierática, datado do final do período ptolomaico — Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito
Óstraco fragmentário com texto escolar em escrita hierática, datado do final do período ptolomaico — Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito

Os óstracos de Athribis abrangem um intervalo temporal de mais de mil anos. Os exemplares mais antigos são recibos fiscais do século 3 a.C., escritos em demótico, enquanto os mais recentes consistem em etiquetas de jarros em árabe, datadas entre os séculos 9 e 11 d.C.

A diversidade linguística também chama atenção: entre 60% e 75% dos textos estão em demótico, enquanto 15% a 30% aparecem em grego. O restante inclui inscrições em hierático, hieroglífico, copta e árabe, refletindo a longa ocupação do sítio ao longo dos períodos ptolomaico, romano e islâmico.

Lendo as estrelas

Para dar conta desse vasto material, foi criado o projeto interdisciplinar “Ostraca d’Athribis”. O grupo reúne mais de uma dezena de especialistas em línguas antigas, sistemas de escrita e análise cerâmica, com o objetivo de estudar e catalogar os fragmentos.

Segundo Sherif Fathy, ministro do Turismo e Antiguidades, a descoberta representa uma contribuição significativa para a compreensão da história social e econômica do Egito ao longo de diferentes períodos. Já Hisham El-Leithy, secretário-geral do conselho, destacou que o volume de material encontrado em Athribis supera qualquer outro sítio egípcio após mais de dois séculos de escavações arqueológicas.

As análises ainda estão em andamento, mas os pesquisadores acreditam que esses fragmentos podem revelar um retrato extremamente detalhado da vida cotidiana, das práticas administrativas e das crenças religiosas de uma cidade que floresceu por séculos às margens do rio Nilo

(Por Júlia Sardinha)

Astrogildo Aécio Nunes

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