Fósseis de hominídeos de 300 mil anos achados na China compartilham traços de Homo sapiens

Fósseis de hominídeos de 300 mil anos achados na China compartilham traços de Homo sapiens
Além de dentes, ossos como restos cranianos, um maxila parcial e fragmentos de fêmur também foram encontrados no sítio arqueológico — Foto: Divulgação/CENIEH

Dentes humanos encontrados em um sítio arqueológico no sul da China revelaram novas perspectivas sobre a diversidade de hominídeos na região há aproximadamente 300 mil anos. Os ossos do ancestral misterioso apresentaram uma combinação incomum de traços primitivos e modernos, o que pode indicar casos de reprodução entre diferentes grupos do gênero Homo, como o Homo sapiens Homo erectus, no continente asiático.

A pesquisa, feita por uma parceria entre Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana (CENIEH) e o Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia (IVPP) em Pequim, fez uma série de escavações no sítio. Lá os cientistas encontraram vários restos cranianos, alguns com dentes preservados do período do Pleistoceno Médio.

A primeira teoria era de que os ossos pertenciam a Homo erectus que viveram no Leste Asiático. Por meio de comparações entre 21 exemplares dentários, no entanto, os pesquisadores perceberam que o caso de Hualongdong era mais complexo que isso. Foram identificados padrões morfológicos que misturam características arcaicas – como raízes dentárias robustas – com traços mais modernos.

Os cientistas responsáveis pelo estudo, publicado na revista científica Journal of Human Evolutiondescartaram a possibilidade de que as características dentárias encontradas seriam típicas dos neandertais, sugerindo que um outro grupo estava envolvido no processo evolutivo dos hominídeos na região.

Pesquisadores durante visita a assentamento no sul da China — Foto: Divulgação
Pesquisadores durante visita a assentamento no sul da China — Foto: Divulgação

Complexidade evolutiva

O tamanho reduzido de alguns molares os levaram a crer que o povo de Hualongdong tinha, além das características de Homo erectus, traços faciais normalmente vistos em Homo sapiens, espécie bem mais recente se comparada ao nosso primeiro ancestral a ter proporções corporais semelhantes a dos humanos modernos.

“É um mosaico de traços primitivos e derivados nunca antes visto – como se o relógio evolutivo estivesse marcando tempos diferentes em partes distintas do corpo”, comenta María Martinón-Torres, autora do estudo, em comunicado.

Homo erectus é identificado como a espécie do gênero Homo que mais por mais tempo habitou a Terra, vivendo entre 1,6 milhões a 100 mil anos atrás. Considerando a ideia de que traços associados ao surgimento do Homo sapiens já estavam presentes na Ásia há pelo menos 300 mil anos, uma possível explicação para a mistura de características seria que a população da região surgiu a partir de cruzamentos entre Homo erectus e humanos.

Apesar dos pesquisadores ainda não saberem ao certo porque os antigos de Hualongdong essa variedade morfológica, as descobertas reforçam a ideia de que a evolução humana na Ásia foi mais complexa do que se pensava.

“A descoberta de Hualongdong nos lembra que a evolução humana não foi linear nem uniforme, e que a Ásia abrigou múltiplos experimentos evolutivos com resultados anatômicos únicos”, completa a pesquisadora.

(Por Fernanda Zibordi)

 

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