Exposição “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, chama atenção para o debate sobre trabalho digno no Brasil

Exposição “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado, chama atenção para o debate sobre trabalho digno no Brasil
Fotos: Divulgação

Em meio ao avanço de debates no Brasil sobre trabalho digno e qualidade de vida, a exposição “Trabalhadores”, do fotógrafo Sebastião Salgado, ganha atualidade ao retratar cenários de esforço extremo, ausência de direitos e precarização que ainda persistem em diferentes partes do mundo e também no país. A mostra segue aberta ao público no Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém.

Com cerca de 150 fotografias produzidas entre 1986 e 1992, em diversos países, a exposição apresenta um panorama histórico do trabalho humano em diferentes contextos sociais e econômicos. Mais do que um registro documental, as imagens estabelecem conexões diretas com transformações contemporâneas nas relações de trabalho, marcadas pela automação, pela substituição de atividades tradicionais e pela permanência de condições precárias em várias realidades.

A mostra é realizada pelo Banco da Amazônia e tem curadoria de Lélia Wanick Salgado. Antes de chegar à capital paraense, onde se encontra pela primeira vez em uma cidade das regiões Norte e Nordeste, a exposição passou por países como Alemanha e Estados Unidos e, no Brasil, por Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Brasília.

O diretor de Crédito do Banco da Amazônia, Roberto Schwartz, destacou o papel da iniciativa no estímulo à reflexão social. “É com muita honra e satisfação que o Banco da Amazônia abriga essa exposição, que instiga a pensar sobre de onde viemos. E esse caminho percorrido serve de referência para o que não queremos mais à nossa realidade. E, nesse contexto, o papel do Banco é o de apoiar e contribuir para transformar a vida das pessoas, gerando empregos de qualidade, com condições dignas”, afirmou.

A exposição também evidencia o desaparecimento de profissões e práticas produtivas ao longo do tempo. O produtor da mostra, Álvaro Razuk, destacou esse processo ao comentar o projeto. “É um grande trabalho coletivo, que envolveu equipes locais e nacionais. A ideia da exposição é o de retratar formas de trabalho que tendem a desaparecer, como os cortadores de cana e processos industriais que hoje são automatizados”, explicou.

Para o público, a força das imagens ultrapassa o valor estético e dialoga diretamente com o significado do 1º de Maio. “A exposição ‘Trabalhadores’ nos convida a refletir sobre os caminhos que moldam histórias individuais e coletivas. Mais do que um conjunto de imagens, é um registro sensível do tempo, das escolhas e das transformações que atravessam a experiência humana”, destacou o jornalista Sérgio Manoel.

A gerente do Centro Cultural Banco da Amazônia, Ana Amélia Fadul, ressaltou o papel da iniciativa na promoção de debates contemporâneos. “Dentro da nossa política de Cultura consta contribuir para o letramento cultural da nossa sociedade. Assim, o Banco trabalha com uma estratégia de apoiar artistas locais, amazônidas, nacionais e internacionais, sendo que, nesse último, encontra-se Sebastião Salgado, cuja exposição nos traz um tema tão relevante, que nos faz pensar sobre a necessidade de trabalho digno, sobre os direitos das pessoas no mundo do trabalho. Essa reflexão está presente nas obras desse grande fotógrafo, as quais podem ser vistas de forma gratuita em nosso Centro Cultural”, declarou.

Álvaro Razuk também destacou a atualidade dos temas abordados por Sebastião Salgado. “Eu acho que a importância de trazer um nome como Sebastião Salgado vai ao encontro da expectativa e da ideia do Centro Cultural, *no caso, de difundir obras para além do eixo Rio-São Paulo, ampliando o acesso para a região Norte do Brasil. Conhecer esse legado é de grande importância para as novas gerações. E, além da beleza estética das fotografias, evidenciar o trabalho da forma precarizada como existiu, e ainda existe em vários lugares do mundo, oferecendo riscos para as pessoas, também é um aspecto importante dessa exposição, mostrando a atualidade do tema. Outro fato importante é que as obras falam de temas próximos da gente, como as fotografias de Serra Pelada e a produção de cacau”, exemplificou.

Astrogildo Aécio Nunes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?