Encontrado túmulo de mulher viking enterrada com seu cachorro; fotos

Enquanto investigavam um terreno na ilha Senja, na Noruega, arqueólogos identificaram, com a ajuda de um detector de metais, um túmulo a apenas 20 centímetros da superfície. Ao escavarem preliminarmente o local, em 2023, os especialistas encontraram dois broches ovas, típicos de mulheres da Era Viking, e a estrutura de um barco de aproximadamente 5,4 metros de comprimento – era comum que vikings mais abastados fossem enterrados ao lado de embarcações.
Túmulo de elite
“Somente a elite receberia um enterro como esse – em um barco e cercada por objetos valiosos”, explica Anja Roth Niemi, uma das responsáveis pelo projeto, ao portal Science Norway. “Talvez um ou dois indivíduos por geração fossem velados dessa maneira, o que sugere que a mulher enterrada tinha um status social significativo localmente, ou até mesmo em toda a região”.
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Os broches ovais são de uma variedade mais refinada, decorados com fios de prata. Não eram exatamente os tipos de joias que o topo da escala social utilizava normalmente, mas costumam estar associados a figuras importantes e poderosas dentro de organizações vikings mais restritas.
No sepultamento também foram escavados outros objetos de grande valor que parecem apoiar tal hipótese. Isso inclui, por exemplo, duas contas feitas de osso ou âmbar, um pingente em forma de anel, uma pedra de amolar feita de ardósia, uma foice de ferro e um item alongado feito de osso de baleia (que provavelmente serviu como uma ferramenta de tecelagem).
Identidade da mulher
Apesar das desconfianças de se tratar de uma representante da elite viking, ainda não se sabe ao certo a identidade da pessoa enterrada. Para completar essa lacuna, os especialistas pretendem conduzir análises ósseas em breve no esqueleto.
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Mais do que só confirmar o sexo do indivíduo, que os arqueólogos estão certos ser uma mulher por conta do formato oval dos broches, o estudo também fornecerá informações complementares sobre a sua vida. Na prática, isso significa desvendar a sua idade, altura, dieta e estado de saúde.
“O material esquelético pode fornecer muitas informações sobre o indivíduo, mas também sobre a sociedade em que ele viveu”, indica Niemi. “Aprenderemos sobre o tipo de trabalho que ela fez, se ela passou por períodos de má nutrição e se ela viveu em lugares diferentes durante a infância e a idade adulta”.
Cão torna a sepultura mais especial
“Frequentemente, broches são encontrados por meio de detectores de metais em terras aradas e, nesses casos, a sepultura costuma ser completamente destruída e espalhada pelo arado”, lembra o arqueólogo Håkon Reiersen. “Neste caso, a sepultura estava praticamente intacta, e é extremamente importante – e uma sorte – que tenha havido a oportunidade de escavá-la e documentá-la”.
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Mesmo assim, o que mais destaca este funeral dos demais é justamente a presença do esqueleto canino. Não se trata da primeira vez que um “pet” foi descoberto junto de um funeral viking, mas ainda é considerado um evento relativamente raro.
Dentre os animais frequentemente encontrados nesse tipo de sepultura, os cachorros são os mais comuns. Em um exemplo histórico do ditado que coloca os cães como “melhores amigos” dos humanos, este espécime parece ter sido enterrado junto da mulher para marcar a sua relação como grandes companheiros na vida e na jornada para a vida após a morte.
Continuação das pesquisas
Para além dos estudos de análise de todos os materiais encontrados na vala funerária, os pesquisadores ainda pretendem investigar a possibilidade de existência de um cemitério maior na região. A hipótese foi levantada após a equipe descobrir outro broche oval próximo deste enterro original.
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“Temos razões para acreditar que há outra sepultura por lá, possivelmente ainda intacta”, observa Niemi. “Gostaríamos muito de examinar a área com um radar de penetração no solo para ver se há mais a descobrir”.
A autora especula que pode ter havido uma tradição de enterrar pessoas ao longo dessas cristas baixas da praia. Como no caso da mulher e seu cachorro, talvez as câmaras nem sejam tão profundas assim, bastando apenas escavações de poucos centímetros para encontrá-las na costa.
(Por Arthur Almeida)






