Emanuelzinho defende diálogo entre Poderes: “O Brasil não cresce com briga”

Emanuelzinho defende diálogo entre Poderes: “O Brasil não cresce com briga”
Montagem VGN

Em meio ao avanço de pautas sensíveis no Congresso e à crescente tensão entre os Poderes, o deputado federal Emanuelzinho (MDB-MT), vice-líder do Governo na Câmara, defende que o momento exige “diálogo, transparência e responsabilidade institucional”. Peça-chave na articulação entre o Palácio do Planalto e a base aliada, o parlamentar busca equilibrar a influência em Brasília com as demandas diretas de Mato Grosso.

Em entrevista ao , Emanuelzinho classificou como “delicadas” as propostas que tratam de prerrogativas parlamentares, alertando que tentativas de “blindagem” sofrem forte rejeição social. Para 2026, elegeu a segurança pública como prioridade absoluta, declarando apoio ao PL Antifacção, à PEC da Segurança Pública e ao debate sobre o fim da escala 6×1. “O país não cresce com briga entre Poderes, mas com segurança jurídica e respeito à Constituição”, afirmou.

Sobre a investigação autorizada pelo STF a respeito de uma emenda de R$ 3 milhões para Dom Aquino, o deputado disse receber a decisão com “absoluta tranquilidade” e reforçou ser favorável a mecanismos que aumentem a rastreabilidade dos recursos públicos.

Confira entrevista na íntegra:

VGN – O Congresso Nacional discute pautas sensíveis que têm provocado reações tanto do Judiciário quanto da sociedade. Quais projetos em tramitação na Câmara o senhor avalia como os mais polêmicos atualmente?

Emanuelzinho – Considero extremamente sensíveis as pautas que tratam das prerrogativas parlamentares. No entanto, para a sociedade, o que realmente importa são as pautas de segurança pública e as reformas sociais. O grande desafio é legislar sem invadir a competência técnica do Judiciário, garantindo que o Legislativo exerça sua soberania como representante direto do povo. Projetos que sugerem uma “blindagem” parlamentar, por exemplo, são focos de resistência; minha posição é clara: a transparência deve sempre prevalecer sobre qualquer tentativa de isolamento institucional.

Emanuelzinho – A democracia é, por natureza, um sistema de pesos e contrapesos; o que estamos presenciando é o ajuste dessas forças. Não vejo o cenário como um “desequilíbrio terminal”, mas como um momento que exige diálogo. O ruído ocorre quando o Judiciário avança sobre temas que o Congresso ainda não deliberou, ou quando o Parlamento reage de forma corporativista. Meu papel, especialmente como vice-líder do Governo, é buscar a harmonia. O país não cresce com conflitos entre Poderes, mas sim com segurança jurídica e respeito à Constituição.

VGN O Congresso deve votar em 2026 a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção. Em que estágio essas propostas estão atualmente e qual é a prioridade do Governo para elas?

VGN Sobre o fim da escala 6×1, defendido pelo presidente Lula: há chance real de aprovação em 2026 ou o tema deve permanecer apenas no debate político?

Emanuelzinho – Eu não apenas acredito na aprovação, como sou um dos defensores dessa pauta. Assinei a PEC porque entendo que a produtividade moderna não pode ser medida apenas por horas de exaustão. Há uma chance real se soubermos equilibrar o debate com o setor produtivo. Precisamos discutir a redução da jornada sem onerar excessivamente o pequeno empresário, porque o debate político já amadureceu, agora precisamos trabalhar na construção legislativa.

VGN Como vice-líder do Governo Federal, qual tem sido seu papel nas articulações políticas sem que isso interfira na sua atuação como representante de Mato Grosso?

Emanuelzinho – Ser vice-líder me dá um “assento à mesa” onde as grandes decisões são tomadas, e isso é extremamente benéfico para Mato Grosso. Meu papel é traduzir as necessidades do nosso estado para o Governo Federal, assim consigo destravar recursos para infraestrutura e saúde que, sem essa proximidade, demorariam muito mais. Não há interferência, há sinergia. Eu represento Mato Grosso em Brasília, e estar no núcleo do governo me permite ser um representante muito mais eficaz.

VGN O Governo encerrou 2025 com recorde de R$ 31,5 bilhões pagos em emendas parlamentares. Como o senhor responde às críticas sobre o uso eleitoral desses recursos?

Emanuelzinho – As emendas são o braço mais curto do Estado para chegar onde o ministério não enxerga. O recorde de pagamentos reflete um governo que respeita o Congresso e entende que o parlamentar conhece a ponta, o município. A crítica sobre o uso eleitoral é simplista: se o recurso constrói um hospital ou asfalta uma rua, o benefício é para a população, independentemente do período. O que precisamos é avançar ainda mais na transparência e na rastreabilidade, para que cada centavo seja fiscalizado pela sociedade.

VGN – O STF autorizou a Polícia Federal a investigar a aplicação de uma “emenda PIX” de R$ 3 milhões, destinada pelo senhor ao município de Dom Aquino em 2024. Como o senhor recebeu essa decisão e o que pretende esclarecer durante o processo?

Emanuelzinho – Recebi a decisão com absoluta tranquilidade. Como diz o ditado: quem não deve, não teme. Vejo a investigação como uma oportunidade para dar segurança ao processo e ratificar a transparência da nossa atuação. O que pretendo esclarecer é o fato concreto: o recurso teve um propósito nobre e foi integralmente utilizado na compra do imóvel que hoje abriga o Hospital Municipal de Dom Aquino. É um benefício real para a saúde da região. Meu papel como parlamentar foi indicar o recurso e garantir sua rastreabilidade; agora, estou à disposição para demonstrar que tudo foi executado dentro da mais estrita legalidade.

“O país não cresce com briga entre Poderes, afirma Emanuelzinho ao defender harmonia institucional e projetar MDB como protagonista em 2026

VGN – Quais critérios, técnicos ou políticos, orientaram a escolha de Dom Aquino para o recebimento dessa emenda específica?

Emanuelzinho – O critério fundamental foi a necessidade urgente na saúde pública. Dom Aquino carecia de uma estrutura hospitalar própria para reduzir a dependência de grandes centros e atender pacientes de toda a região. Minha prioridade recai sobre municípios que apresentam planos de trabalho consistentes, onde o recurso gera impacto direto na vida do cidadão. A viabilização do Hospital Municipal era uma demanda histórica; meu compromisso é com o fortalecimento do municipalismo, garantindo que o mato-grossense receba atendimento de qualidade onde ele vive, sem precisar se deslocar para longe de sua casa.

VGN – Na sua visão, até onde vai a responsabilidade do parlamentar na fiscalização da emenda e onde começa a do gestor municipal na execução do recurso?

Emanuelzinho – A Constituição é clara: o parlamentar indica o recurso e zela pela sua finalidade. Já a execução física e financeira — o que inclui licitações, contratos e relatórios de gestão — é de responsabilidade exclusiva do gestor municipal. Meu papel é o de viabilização; no caso de Dom Aquino, o recurso foi destinado e o hospital, adquirido. Se existem questionamentos sobre prazos de relatórios ou formalidades nos planos de trabalho, cabe à prefeitura os devidos esclarecimentos. Eu cumpro o meu dever de assegurar o investimento, e o Executivo municipal cumpre o dele de aplicá-lo corretamente conforme as normas técnicas.

VGN Pensando nas eleições de 2026, o senhor pretende disputar uma vaga ao Senado ou a intenção é buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados?

Emanuelzinho – Meu foco hoje é terminar o mandato entregando resultados. Acredito que ainda tenho muito a fazer e quero continuar fazendo pelo povo de Mato Grosso e pelo meu país, por isso até o momento sou pré-candidato à reeleição.

VGN – Como o senhor avalia a possível candidatura da deputada estadual Janaina Riva ao Senado e qual espaço o MDB deve ocupar nessa construção para 2026?

Emanuelzinho – A Janaina é, indiscutivelmente, uma das maiores lideranças de Mato Grosso. Ela possui uma base eleitoral sólida, uma votação expressiva e personifica a força feminina na política atual. É o nome natural do MDB para qualquer disputa majoritária. Minha convicção é que o MDB não será coadjuvante no próximo pleito; a consolidação desse projeto com a Janaina não apenas fortalece o partido, mas o posiciona como peça-chave no tabuleiro eleitoral. Estamos trabalhando para que a sigla retome o protagonismo que sua história e capilaridade exigem.

VGN – A recente filiação da vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia Rosa, ao MDB altera o equilíbrio político do partido na Capital?

Emanuelzinho – A chegada da Coronel Vânia Rosa qualifica enormemente o MDB. Ela agrega a experiência técnica da segurança pública à sensibilidade de quem vivencia o dia a dia da gestão na Capital. Essa filiação amplia nossa musculatura política em Cuiabá e consolida o partido como uma força preparada para os desafios da cidade.

VGN – Por fim, como o senhor analisa o início da gestão do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, que tem feito declarações públicas críticas ao MDB?

“Cuiabá quer resultado, não briga”

Emanuelzinho – O prefeito Abilio parece ainda não ter saído do palanque; ele age como se estivesse em campanha. Critica o MDB, mas esquece que governar exige a construção de pontes, e não apenas ataques em redes sociais. Cuiabá tem pressa e precisa de gestão eficiente, cuidado com a saúde e avanços na infraestrutura. Espero que ele passe a focar menos no retrovisor e mais no futuro da nossa capital. O povo cuiabano não quer brigas políticas intermináveis; o que a população espera, de fato, são resultados concretos.

(VGN)

Astrogildo Aécio Nunes

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