Edna inicia campanha com PEC que propõe mudanças na Constituição de Mato Grosso

A candidata a deputada estadual Edna Sampaio (PT) iniciou oficialmente sua campanha à Assembleia Legislativa de Mato Grosso tendo como principal bandeira a construção de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Mato Grosso voltada à promoção da igualdade de gênero, à proteção da vida das mulheres e à ampliação da participação feminina nos espaços de poder.
A proposta foi apresentada durante o lançamento da candidatura, realizado na noite desta quarta-feira (19), em Cuiabá, com a presença da candidata ao governo do Estado, Natasha Slhessarenko, e do candidato ao Senado, Pedro Taques.
A minuta da PEC prevê mudanças na estrutura de decisão do Estado e estabelece que o enfrentamento das desigualdades de gênero passe a ser um compromisso constitucional permanente. Também prevê a equidade de gênero na composição das instâncias decisórias estaduais e veda a implementação de políticas públicas que incentivem ou ampliem a disparidade entre homens e mulheres.
A proposta prevê ainda a criação do Sistema Estadual de Proteção Integral às Mulheres e de Promoção da Equidade de Gênero, com articulação entre as instituições envolvidas, protocolos de atendimento, fontes de financiamento e metas para a redução do feminicídio.

Também está previsto o fortalecimento do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, que deixaria de ter caráter consultivo para assumir função deliberativa, incluindo a participação na decisão sobre a aplicação e a destinação de recursos.
Ao apresentar a PEC como eixo de sua campanha, Edna destacou ainda a baixa presença feminina nos espaços de poder. Ela relacionou a proposta ao cenário de violência contra as mulheres em Mato Grosso e destacou a necessidade de enfrentar a cultura de discriminação existente no estado. Segundo relatório da Câmara Setorial Temática sobre Feminicídio — presidida por ela em sua passagem pela Assembleia Legislativa —, entre 2022 e 2025, Mato Grosso registrou 195 feminicídios. De acordo com o Observatório Caliandra, mantido pelo Ministério Público, em 2026, 31 ocorrências já foram registradas.
“Temos aqui uma cultura muito violenta, de discriminação. Cada um de nós somos responsáveis e eu quero muito que possamos assumir juntos essa responsabilidade durante esta eleição. Não podemos aceitar uma sociedade que mata tantas mulheres e que não tem mulheres trabalhadoras nos espaços de decisão política”, afirmou.
A candidata também afirmou que pretende abordar, durante a campanha, a violência política contra as mulheres, relacionando o tema à violência que sofreu durante seu mandato como vereadora e ao longo de sua trajetória política.
A pauta da desigualdade de gênero, segundo Edna, pode aproximar mulheres de diferentes posições políticas.
“Quando se fala da condição de mulher, se racha essa ideia de esquerda versus direita, pois as mulheres sabem que são violentadas, as de direita, de esquerda e de centro, e se elas sabem disso, elas estarão abertas a ouvir as propostas de uma candidata negra, que também sofreu violência na política e que tem uma trajetória de luta contra a violência”, destacou.
Construção participativa
A PEC está vinculada ao Movimento Mulheres Vivas e vem sendo construída a partir das demandas apresentadas por mulheres de diferentes regiões de Mato Grosso. Além de Cuiabá, já foram formados núcleos comunitários em municípios como Rondonópolis, Barra do Bugres, Cáceres, Poconé, Chapada dos Guimarães, Vila Bela da Santíssima Trindade, Jaciara, Tangará da Serra, Sinop e Campo Novo do Parecis, entre outros.
A proposta é que as contribuições apresentadas nos encontros sejam sistematizadas e incorporadas à construção do texto constitucional. A iniciativa busca reunir demandas de diferentes segmentos sociais e regiões do estado para elaborar uma proposta que reflita as experiências e necessidades das mulheres mato-grossenses.
Natasha destacou a trajetória política de Edna e a importância de sua candidatura.
“Edna traz esperança de renovar a Assembleia. Uma mulher combativa, guerreira, uma mulher negra que sempre esteve na luta pelos trabalhadores e principalmente pelas mulheres”, disse ela.
Pedro Taques classificou como injustiça o processo sofrido por Edna e manifestou seu apoio à candidatura.“A injustiça é algo que precisa ser superado com justiça. A Edna foi injustiçada. Essa candidatura representa o empoderamento da mulher. Mas não é qualquer mulher. Não é uma mulher que vai ser eleita porque herdou o nome, mas sim porque tem trabalho, luta, sonhos”, afirmou.
Também estiveram presentes no lançamento da campanha as candidatas a deputada federal, Graciele Marques e Leliane Borges.






