Deputados adotam cautela e se esquivam da CPI dos Consignados

Deputados adotam cautela e se esquivam da CPI dos Consignados
Montagem/RDNEWS

Os deputados estaduais adotaram cautela ao comentar sobre a possibilidade de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades na operação do crédito consignado aos servidores públicos na Assembleia Legislativa (ALMT), nesta quarta-feira (08). Para ser instalada, a comissão precisa de 8 assinaturas e, até o momento, conta com 5 adesões. Enquanto afirmam não terem sido procurados pelos apoiadores da apuração, os parlamentares questionam a efetividade da medida às vésperas do período eleitoral.

Até o momento, a instalação da CPI conta com as assinaturas dos deputados Janaína Riva (MDB), Silvano Amaral (MDB), Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT) e Wilson Santos (PSD). No início da manhã de hoje, representantes dos servidores públicos estiveram na Assembleia para tentar sensibilizar os deputados a instalarem a comissão de forma a garantir o número mínimo de assinaturas ao requerimento.

Embora defenda a legitimidade do pedido, o deputado Júlio Campos (União) lembrou da Comissão instalada para apurar contratos na Saúde como um exemplo de que uma nova apuração enfrentará problemas na Casa. “Não vejo isso como estranho, CPI pode ser pedida a qualquer momento. Agora, o difícil é ela funcionar em final de mandato”.

Outro deputado que reconhece a gravidade do problema, mas se esquivou de assumir o compromisso de assinar o requerimento é o deputado Paulo Araújo (Republicanos). Historicamente ligado aos servidores públicos, ele destacou que o caso está sob análise de uma Mesa Técnica coordenada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

“Eu sou servidor, sempre votei matéria a favor de servidor, e esta é uma questão que tenho acompanhado. Há um trabalho muito sério sendo conduzido e, assim que nós deputados tivermos ciência daquilo que foi constatado em relatório final, eu vou decidir o que nós vamos fazer”, ressaltou o parlamentar.

Quem também defendeu a seriedade na forma de tratar o caso foi o deputado Carlos Avallone (PSDB). Reconhecendo a importância do assunto, o político ponderou, no entanto, que há fatores como a própria presença de deputados na ALMT no período eleitoral precisa ser levada em consideração.

“Ela é possível, é justa e é um apelo que está sendo feito pelos funcionários e que é uma coisa que nós temos que analisar com bastante seriedade isso. Porque é um assunto que está pressionando a vida dos funcionários públicos de uma maneira, principalmente de aposentados, de uma maneira devastadora” completou.

Já o deputado Diego Guimarães (Republicanos) afirmou que pode haver, neste momento, o uso eleitoreiro de um assunto importante para todos. “Nós estamos há 90 dias da eleição. Essa questão do consignado já circula na imprensa, é notório, há mais de um ano. Aí, há 90 dias, no ano de eleição, vem com a proposta de uma CPI. Isso me cheira a uma atitude eleitoreira”, disparou.

(Rdnews)

 

Astrogildo Aécio Nunes

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