Defesa contra vazamento ou defesa de gabinete?

Defesa contra vazamento ou defesa de gabinete?
VG Notícias

A deputada estadual Janaina Riva decidiu entrar em campo contra o vazamento de um boletim de ocorrência envolvendo a ex-esposa de um assessor lotado em seu gabinete, acusado de agressão. Até aí, correto. Proteger vítimas de violência doméstica não é apenas prudente — é necessário.

O problema começa quando a régua parece mudar conforme o endereço político do caso.

Janaina afirma que não acusou a Polícia Civil, que respeita a delegada-geral Daniela Maidel, e que quer discutir mecanismos para garantir sigilo aos BOs, salvo com autorização expressa da vítima. Defende que a exposição de dados — endereço, profissão, detalhes do relato — amplia o sofrimento e gera medo. Argumento justo.

Boletins de ocorrência envolvendo outras figuras públicas já vieram a público — muitos deles explorados politicamente sem a mesma comoção institucional. Em várias situações, a publicidade do fato serviu, inclusive, como freio social: quando a sociedade sabe quem é o agressor, a pressão pública pode funcionar como contenção.

Neste episódio específico, trata-se de um assessor parlamentar vinculado diretamente ao gabinete da deputada. E é aí que mora o ponto sensível: quando o caso bate à porta, o discurso muda de tom.

Porque, deputada, proteger mulheres não pode depender de onde o agressor trabalha.

(VGN)

Astrogildo Aécio Nunes

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