Decisão de Trump sobre facções reforça tese defendida por delegado de MT

Decisão de Trump sobre facções reforça tese defendida por delegado de MT
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A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas trouxe novamente ao centro do debate uma discussão que vem sendo defendida pelo delegado da Polícia Civil Fred Murta (Podemos) há pelo menos um ano.

Em novembro de 2025, durante participação na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, Murta afirmou que o país precisava reconhecer a nova dimensão do crime organizado e considerar o enquadramento dessas organizações dentro da legislação relacionada ao terrorismo.

Na ocasião, o delegado argumentou que facções criminosas utilizam o medo como instrumento de controle social e territorial, afetando diretamente a vida de milhares de brasileiros.

“Enquanto nós estamos discutindo nomenclaturas e atribuições, há mães enterrando filhos julgados e executados pelo poder paralelo, comerciantes abandonando seus negócios e comunidades inteiras submetidas a ordens de organizações criminosas”, afirmou durante a audiência.

Para Murta, o fenômeno observado em diversas regiões do país ultrapassa os limites da criminalidade convencional e se aproxima do que especialistas classificam como “terrorismo funcional” — o uso sistemático do terror para alcançar objetivos estratégicos, como domínio territorial, controle populacional e monopólio da força em determinadas áreas.

Ao comentar a recente decisão norte-americana, o delegado afirmou que a medida era previsível diante da forma como os Estados Unidos tratam ameaças à segurança nacional.

“Quando me formei na Academia do FBI, uma das disciplinas foi combate ao terrorismo. Nos Estados Unidos, qualquer movimento que possa representar ameaça à segurança nacional é tratado como prioridade absoluta. Sob essa perspectiva, a decisão era algo esperado”, avaliou.

Segundo ele, independentemente das divergências políticas ou diplomáticas que possam surgir em torno do tema, a classificação evidencia a preocupação internacional com o avanço das facções criminosas e sua crescente capacidade de influência.

“O que precisa ser discutido é o impacto dessas organizações sobre a vida das pessoas, sobre a liberdade das comunidades e sobre a capacidade do Estado de exercer sua autoridade. Esse é o ponto central da discussão. Eu vejo o Brasil hoje como um gigante, mas um gigante acovardado. Nós estamos ajoelhados diante de um inimigo que é muito menor do que nós e ele só cresce porque nós nos encolhemos”, disse.

Para Murta, a discussão sobre o enquadramento das facções não deve se limitar a uma questão terminológica, mas servir para impulsionar uma revisão das estratégias de combate ao crime organizado no país. “O Brasil precisa enfrentar esse debate com seriedade, coragem e responsabilidade institucional. O avanço das facções exige respostas proporcionais à gravidade do problema, com fortalecimento das forças de segurança, integração entre os órgãos de inteligência e uma política nacional capaz de enfrentar organizações que hoje desafiam a autoridade do Estado em diversas regiões do país”, concluiu.

Astrogildo Aécio Nunes

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