De onde vêm as pedras usadas no curling durante os Jogos Olímpicos de Inverno?

De onde vêm as pedras usadas no curling durante os Jogos Olímpicos de Inverno?
O curling teve sua estreia nos Jogos de Inverno em 1924, mas apenas se tornou um esporte olímpico oficial em 1998 — Foto: Ryan Claussen/Wikimedia Commons

Com o início dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026, o mundo se volta para as cidades italianas de Milão e Cortina, onde atletas competem em modalidades disputadas a baixas temperaturas. O curling – uma espécie de “bocha no gelo” – é um dos esportes mais populares do evento, atraindo público pelo seu alto nível de estratégia e precisão.

Além da habilidade dos atletas, a procedência das pedras usadas nas competições é um fator importante. Para garantir as melhores condições para quem joga, é necessário que esses itens sejam produzidas em dois lugares: na pequena ilha escocesa de Ailsa Craig e na pedreira de granito de Trefor, no País de Gales. Mas o que torna essas pedras tão especiais?

Pedras preciosas

Tão importante quanto saber a origem das pedras de curling é saber como elas são formadas. Há duas áreas principais: a superfície de rolamento e a superfície de impacto.

Os nomes são explicativos, com a primeira área sendo a parte da pedra que desliza sobre o gelo e a segunda sendo uma faixa ao redor das laterais da pedra, feita para colidir com as outras – de preferência para retirar as pedras do adversário do alvo ou aproximar as pedras da equipe dele.

A divisão entre a área de impacto e a rocha principal da pedra de curling acontece devido às diferenças das estruturas minerais de cada parte — Foto: Sigve Indregard/Flickr
A divisão entre a área de impacto e a rocha principal da pedra de curling acontece devido às diferenças das estruturas minerais de cada parte — Foto: Sigve Indregard/Flickr

Como destaca a revista Scientific American, cada local de extração das pedras têm dois tipos de rochas: os granitos verde e azul de Ailsa Craig e os granitos azul e vermelho de Trefor. Esses raros granitoides são rochas ígneas, ou seja, formadas pelo resfriamento do magma e consideradas relativamente jovens em escala geológica.

A ilha de Ailsa Craig é completamente desabitada e fica a aproximadamente 17 quilômetros da costa da Escócia continental — Foto: Paul Hart/Wikimedia Commons
A ilha de Ailsa Craig é completamente desabitada e fica a aproximadamente 17 quilômetros da costa da Escócia continental — Foto: Paul Hart/Wikimedia Commons

As pedras de curling são consideradas investimentos caros e duradouros, já que cada uma chega custar em média US$ 600 e durar de 50 a 70 anos.

Para a superfície de deslizamento, o granito azul de Ailsa Craig é o ideal. Derek Leung, mineralogista da Universidade de Regina, no Canadá, e jogador de curling, explica, em entrevista à Scientific American, explica que a rocha azul possui grãos pequenos e uniformes em sua estrutura.

Isso é ótimo para décadas de deslizamento no gelo, já que grãos minerais pequenos deixam menores buracos na superfície da pedra desgastada. A rocha também é relativamente porosa, o que faz com que a água do gelo penetre menos, causando menos fraturas.

Já a superfície de impacto, a lógica é oposta. O ideal é que a distância entre os grãos seja maior para que se evite grandes danos durante a colisão entre as pedras de curling. O granito verde de Ailsa Craig e os dois tipos de Trefor são a melhor escolha na confecção dessa área que será esculpida sobre a pedra principal.

Nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, as pedras usadas na competição são feitas quase exclusivamente por pedras extraídas da ilha na Escócia, país de origem do curling.

(Por Fernanda Zibordi)

Astrogildo Aécio Nunes

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