Como foi feita a primeira imagem de raio X no espaço

Na semana passada, durante a realização da missão Fram2, astronautas da SpaceX se tornaram os primeiros seres humanos a tirarem imagens de raio-X fora da Terra. A ideia era verificar a viabilidade do exame no espaço, uma maneira de melhorar a capacidade de diagnóstico nesse ambiente hostil – algo particularmente necessário no contexto de viagens espaciais mais longas.
Em post no X (antigo Twitter), Chun Wang, comandante da missão, compartilhou uma das imagens capturadas a bordo da nave Dragon 207 “Resilience”. Trata-se de uma varredura em preto e branco de uma mão, com um anel em um dos dedos, tirada a mais de 320 km de distância do solo e uma velocidade de 28.163 km/h.
O feito integra o projeto “SpaceXray” e faz referência ao primeiro raio-X já tirado na história, há aproximadamente 130 anos. Na ocasião, o físico alemão Wilhelm Roentgen enquadrou na varredura a mão de sua esposa, Anna Ludwig, que também portava uma aliança em seu dedo. Veja a comparação entre as duas imagens:
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2025/L/N/TVfeIwQGW2asWGXIZf7Q/mit-spacexray-0.jpg)
Desafios de um raio-X no espaço
Segundo Lonnie Petersen, um dos pesquisadores responsáveis pela iniciativa, existem vários desafios de se fazer um raio-X no espaço. Os problemas vão desde o hardware, aos métodos e aos indivíduos que serão radiografados, relata, ao MIT News.
Para começar, o hardware precisou ser compactado ao máximo para o voo espacial, também sendo preciso seguir certos requisitos de segurança, uma vez que todos os dispositivos a bordo funcionam em um espaço confinado. Por isso, foi utilizado um gerador e detector de raios-X portátil e especializado, originalmente desenvolvido para o campo de batalha.
“Em termos de métodos, uma das minhas preocupações era que o aumento da radiação poderia reduzir a qualidade da imagem, tornando-a abaixo dos padrões clínicos”, destaca Petersen. “Outra questão é que, como se pode imaginar, um sujeito flutuante tende a ser mais difícil de se posicionar para obter imagens precisas”.
Apesar dos anseios, as primeiras imagens recebidas dos experimentos demonstraram uma ótima qualidade de imagem. Isso acalmou os especialistas em relação à viabilidade técnica e os deixou ainda mais animados para verificar as lições aprendidas como um todo, tanto em relação às capacidades atuais quanto aos próximos passos a serem tomados.
Vale salientar que, como parte do processo de preparação para a missão, os quatro tripulantes da Resilience aprenderam a tirar, verificar a qualidade e armazenar os raios-X. O protocolo foi criado com antecedência e os astronautas capturaram imagens uns dos outros.
Mudanças corporais no espaço
Para além de verificar possíveis fraturas e indicar os melhores tratamentos possíveis durante as missões espaciais, a ideia dos especialistas é que os raios-X sirvam também para acompanhar as mudanças corporais provocadas pelo tempo fora da Terra. Isso é, pela exposição à radiação espacial e à microgravidade.
Acredita-se que a entrada no espaço tem um enorme impacto no corpo humano. Sangue e fluidos deixam de ser puxados para baixo, em direção aos pés pela gravidade, para serem distribuídos uniformemente.
A longo prazo, isso leva a pressões regionais e mudanças de perfusão, que podem impactar o sistema cardiovascular e o cérebro. Por sua vez, a descarga mecânica do corpo leva à atrofia muscular e descalcificação óssea, bem como redução na capacidade de exercício.
“Uma vez que a missão Fram2 durou apenas 3 dias, a sua tripulação dificilmente apresentará grandes efeitos em seus corpos”, lembra Petersen. “No entanto, nossa ideia é que a saúde dos astronautas de expedições mais longas possa se beneficiar dos raios-X testados por ela”.
(Por Arthur Almeida)






