Como a queda das temperaturas está ligada a problemas do coração, segundo este estudo

Como a queda das temperaturas está ligada a problemas do coração, segundo este estudo
Novo estudo associou ocorrência de doenças cardíacas com quedas bruscas nas temperaturas — Foto: Javad Esmaeili/Unsplash

Quando se fala nos riscos do clima para a saúde, o calor extremo costuma ser o vilão. Mas um novo estudo sugere que o o risco relacionado ao frio e seus efeitos podem ser subestimados: a queda intensa nas temperaturas está associada a um aumento acentuado nas mortes por ataques cardíacos, derrames e doenças coronárias.

As descobertas da pesquisa, apresentada na Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia e publicada na revista American Journal of Preventive Cardiology nesta terça-feira (24). Os dados sugerem que meses com temperaturas mais baixas apresentam taxas de mortalidade cardiovascular significativamente maiores do que meses com temperaturas mais amenas. Temperaturas mais altas também aumentam os riscos, mas de forma mais modesta.

“Esta é a primeira vez que temos números concretos para a maior parte dos Estados Unidos, e descobrimos que o impacto do excesso de mortes associadas ao frio é bastante substancial”, disse Pedro Rafael Vieira De Oliveira Salerno, autor do estudo e médico residente do NYC Health + Hospitals/Elmhurst, da Icahn School of Medicine do Mount Sinai, em Nova York, em comunicado.

Frio pesa mais do que o calor?

Os autores do estudo analisaram as temperaturas mensais e as mortes por doenças cardiovasculares em 819 localidades nos EUA, representando cerca de 80% da população com mais de 25 anos. Ao analisar dados entre 2000 a 2020, eles descobriram que a temperatura mais segura para a saúde do coração gira em torno de 23 °C. As taxas de mortalidade aumentaram quando as temperaturas se afastaram desse nível ideal.

Tanto o frio quanto o calor extremos estiveram associados ao aumento da mortalidade, mas o frio representou um fator de risco muito maior que o calor. Os pesquisadores estimam que as baixas temperaturas estiveram associadas a aproximadamente 40 mil mortes cardiovasculares além do esperado a cada ano, resultando em um total de 800 mil mortes nas últimas duas décadas.

Já o clima quente foi responsável por cerca de 2 mil mortes além do esperado por ano, totalizando 40 mil mortes no mesmo período de duas décadas.

Reações fisiológicas

A exposição ao frio provoca uma série de reações no organismo: há aumento de processos inflamatórios, ocorre vasoconstrição (contração de vasos sanguíneos) e o corpo passa a trabalhar mais para manter a temperatura. Em idosos e pessoas com doenças crônicas, esse esforço extra pode elevar o risco de infartos e derrames.

“À medida que crescem as taxas de doenças crônicas (…), podemos esperar um aumento no número de pessoas mais vulneráveis ​​aos efeitos das temperaturas extremas”, afirmou Salerno.

O pesquisador também destaca que os riscos do frio extremo não devem ser ignorados no contexto das mudanças climáticas. “Tendemos a focar nos impactos das mudanças climáticas relacionados ao calor, mas as mudanças climáticas também incluem o frio extremo. Precisamos de medidas de mitigação não apenas relacionadas ao calor, mas também relacionadas ao frio”, disse ele.

O estudo, no entanto, apresenta limitações. Ele se baseou em dados mensais de temperatura, o que pode suavizar variações mais extremas, e os resultados foram avaliados em nível populacional, não individual.

Os autores da pesquisa agora pretendem avançar na investigação, analisando a relação entre temperatura e ativações dos serviços de emergência médica associadas a eventos cardiovasculares.

(Por Sarah Macedo)

Astrogildo Aécio Nunes

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