Câmara de Cuiabá enfrenta crise interna e tensão institucional em meio à primeira Mesa Diretora exclusivamente feminina

Câmara de Cuiabá enfrenta crise interna e tensão institucional em meio à primeira Mesa Diretora exclusivamente feminina
Fotos: Secom/Câmara
A atual Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá, anunciada como a primeira integralmente composta por mulheres na história do Legislativo cuiabano, atravessa um momento de instabilidade política marcado por divergências internas e ausência de consenso. A gestão, que assumiu sob o discurso de fortalecimento da representatividade feminina, vê-se agora diante de um cenário de embates públicos e silêncios institucionais.

A crise tornou-se mais evidente após a vice-presidente da Casa, vereadora Maysa Leão (Republicanos), solicitar providências formais diante do que classificou como situação de enfrentamento com o Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). Segundo a parlamentar, houve prática de violência política de gênero, acusação que elevou a tensão entre os Poderes Legislativo e Executivo municipais.

O episódio ocorreu em meio a debates administrativos e políticos recentes, nos quais a vereadora afirma ter sido alvo de condutas que extrapolariam o campo do contraditório democrático. A denúncia foi apresentada publicamente, com pedido de posicionamento institucional da própria Câmara Municipal e de órgãos competentes para apuração dos fatos.

De acordo com Maysa Leão, as manifestações do chefe do Executivo Municipal teriam ultrapassado os limites da crítica política, alcançando o que ela entende como desrespeito à sua condição de mulher e agente pública. A parlamentar sustenta que a situação exige resposta formal da Mesa Diretora, a fim de resguardar não apenas sua atuação, mas também o princípio da igualdade de gênero na política.

A presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre as declarações da vice-presidente. O silêncio da chefia do Legislativo tem sido interpretado por setores políticos como fator que amplia a percepção de desalinhamento interno na condução da Casa de Leis.

O impasse se desenvolve na sede do Legislativo cuiabano e repercute nos bastidores da política municipal, envolvendo diretamente a relação institucional entre Câmara e Prefeitura. A falta de consenso dentro da própria Mesa Diretora expõe fragilidades na articulação política e na gestão administrativa do Parlamento local.

Especialistas em direito eleitoral e em políticas públicas ressaltam que a “violência política de gênero” é tipificada na legislação brasileira e pressupõe análise criteriosa dos fatos e das circunstâncias. Caso formalizada, a denúncia poderá ensejar apuração pelos órgãos competentes, com eventual responsabilização, se comprovadas irregularidades.

A situação também levanta questionamentos sobre o simbolismo da primeira Mesa Diretora formada exclusivamente por mulheres. Embora represente avanço histórico sob o aspecto da representatividade, a conjuntura atual evidencia que a presença feminina, por si só, não elimina disputas políticas nem garante unidade administrativa.

Nos corredores da Câmara Municipal, vereadores acompanham com cautela o desenrolar dos acontecimentos, cientes de que o embate pode impactar votações relevantes e a agenda legislativa do município. A estabilidade institucional, nesse contexto, torna-se elemento central para a manutenção do diálogo entre os Poderes.

Enquanto não há manifestação oficial conclusiva da presidência da Casa de Leis nem resposta formal do prefeito às acusações, o caso permanece em aberto, aguardando desdobramentos políticos e jurídicos. O episódio coloca à prova a maturidade institucional do Legislativo cuiabano e a capacidade de seus dirigentes em conduzir conflitos com transparência, equilíbrio e respeito às normas democráticas.

(Blogdovaldemir)

Astrogildo Aécio Nunes

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