Ave ameaçada retorna à ilha do Pacífico pela 1ª vez em mais de 100 anos

Ave ameaçada retorna à ilha do Pacífico pela 1ª vez em mais de 100 anos
Registro de Nesofregetta fuliginosa em 18 de outubro de 2019, aproximadamente no meio do caminho entre as Ilhas Gambier e MacDonald Bank — Foto: Kirk Zufelt

Mais de um século após a última população de painhos-de-garganta-branca (Nesofregetta fuliginosa) ser exterminada da Ilha Kamaka, na Polinésia Francesa, a região voltou a receber visitas deste animal. Isso foi possível graças ao sucesso de um ambicioso projeto de reintrodução da vida selvagem local, o Island-Ocean Connection Challenge (“Desafio de Conexão Ilha-Oceano”).

Segundo um comunicado publicado pela organização da iniciativa, o principal obstáculo para recuperar a espécie residia em eliminar do ecossistema a presença de ratos, os invasores que originalmente expulsaram os painhos-de-garganta-branca da localidade. Os roedores aproveitavam que essas aves criavam os seus ninhos no solo para, assim, predar os seus filhotes.

De volta à ilha

Por meio de drones, a equipe conseguiu erradicar por completo os ratos invasores em 2022. A partir daí, iniciou-se a etapa de atrair as aves de volta para a ilha Kamaka, o que foi feito com a ajuda de dois sistemas de som movidos a energia solar, câmeras de detecção de movimento e tocas espaçosas montadas pelos próprios pesquisadores.

Essa estratégia de “atração social”, segundo o site IFLScience, utilizou sons gravados que simulavam uma colônia de painhos-de-garganta-branca, apelando para o instinto dessas aves de pertencer a um coletivo. Logo nas primeiras semanas de testes, o experimento já demonstrou evidências de sucesso.

A implantação das tecnologias ocorreu em março de 2024, pouco antes do início da temporada de reprodução, e os primeiros visitantes foram flagrados uma vez em abril e outra em maio de 2024. Por fim, em junho, e durante o restante do período de reprodução, registrou-se a presença das aves tanto na vegetação quanto nos ninhos projetados pelos especialistas.

Um painho-de-garganta-branca entra em uma caixa-ninho em Kamaka — Foto: Island Conservation

“Os resultados dos nossos esforços de atração social foram rapidamente aparentes – os painhos-de-garganta-branca começaram a visitar no início da temporada de nidificação e se tornaram visitantes regulares, enquanto também passavam tempo nas caixas-ninho”, afirma Thomas Ghestemme, um dos autores do projeto. “No total, seis espécies de aves marinhas estão agora confirmadas como reprodutoras na ilha, com duas outras espécies prováveis”.

Risco de extinção

O retorno dos painhos-de-garganta-branca à ilha é um sinal muito positivo, considerando principalmente o tamanho pequeno de sua população remanescente: estima-se que permaneçam na natureza apenas 250 a 1000 indivíduos.

Na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o animal é classificado como “em risco de extinção”.

Com um local seguro para nidificar, os pesquisadores esperam que esse grupo possa voltar a prosperar. “O estudo traz nova esperança sobre o futuro. Mais do que os benefícios à espécie, o seu retorno também representa a vinda de nutrientes essenciais para a ilha e para todo o ambiente ali existente”, conclui Tehotu Reasin, proprietário de terras em Kamaka.

(Por Arthur Almeida)

Registro de Nesofregetta fuliginosa em 18 de outubro de 2019, aproximadamente no meio do caminho entre as Ilhas Gambier e MacDonald Bank — Foto: Kirk Zufelt

 

Astrogildo Aécio Nunes

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