Associação vê violência política de genero em confusão durante audiência no Pedra 90

A Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica de Mato Grosso (ABMCJ-MT) emitiu uma nota pública de repúdio contra o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), após um episódio de tensão ocorrido durante a audiência pública do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) no bairro Pedra 90. A entidade manifestou indignação com a postura do gestor, acusando-o de falta de decoro e de desqualificar a capacidade técnica da vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) na presença de moradores e autoridades.
O embate teria ocorrido quando o prefeito sugeriu que a parlamentar precisaria de uma equipe melhor para entender os termos técnicos do Plano Diretor. De acordo com a ABMCJ-MT, a conduta de Brunini ultrapassa a crítica política e se aproxima de hipóteses de violência política contra a mulher, conforme previsto na Lei nº 14.192/2021.
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A associação argumenta que as falas do prefeito tiveram o efeito de constranger e deslegitimar o mandato da vereadora e silenciar a parlamentar. Para a entidade, é inadmissível que espaços de diálogo democrático sejam marcados por ofensas que reforçam estigmas contra mulheres em posições de poder.
O encontro no Pedra 90, que abriga cerca de 30% da população cuiabana, já estava carregado de descontentamento por parte da comunidade, que aproveitou a ocasião para cobrar melhorias urgentes em infraestrutura, como pavimentação e saneamento. Durante a apresentação de diretrizes sobre eficiência térmica, as críticas do prefeito à vereadora geraram revolta e vaias do público presente. Lideranças locais chegaram a subir ao palco para exigir respeito à região, relatando o sentimento de abandono diante de problemas crônicos como os buracos na Avenida Tancredo Neves.
Em sua defesa, o prefeito Abilio Brunini alegou em suas redes sociais que a realização da audiência no bairro demonstra o compromisso da gestão com a área e atribuiu a exaltação de ânimos e a mudança de comportamento após citar irregularidades no bairro.
“Quando começamos a falar sobre invasões, ocupação irregular, parcelamento irregular e várias situações que acabam trazendo prejuízo para os cofres públicos, tentando atribuir responsabilidades ao município”, declarou. Para Brunini, o que deveria ser apenas um encontro técnico tornou-se a “melhor reunião de todos os tempos sobre o Plano Diretor, onde a verdade precisou ser dita e confrontada”.
Apesar do conflito institucional, a prefeitura mantém a proposta do Plano Diretor disponível para consulta pública em seu site oficial. O cronograma de audiências deve seguir para outras regiões, como o CPA I, Dom Aquino e o Distrito da Guia, em busca de um diálogo que equilibre as diretrizes técnicas do Executivo com as demandas imediatas dos moradores.
(HNT)






