Aranha descoberta na Amazônia imita fungo parasita para afastar predadores

Aranha descoberta na Amazônia imita fungo parasita para afastar predadores
A aranha Taczanowskia waska foi encontrada em uma das regiões mais ricas em biodiversidade do mundo, no Equador — Foto: David Diaz-Guevara

Uma nova espécie de aranha amazônica (Taczanowskia waska) é capaz de imitar a aparência de um fungo parasita para evitar predadores. A descoberta foi feita no Corredor Llanganates-Sangay – localizado no Equador –, região que conta com uma das maiores biodiversidades do planeta, e foi liderada por pesquisadores do Instituto Leibniz para Análise da Mudança da Biodiversidade (LIB). Trata-se do primeiro caso documentado de uma aranha imitando um fungo parasita que infecta a sua própria espécie, com o estudo tendo sido publicado na Zootaxa em 26 de fevereiro.

Antes de virar alvo de um estudo científico, Alexander Bentley, do Instituto Nacional de Biodiversidade publicou uma foto do aracnídeo na plataforma iNaturalist, onde pediu a ajuda dos usuários para identificá-la. A ação chegou à David Díaz-Guevara, do Instituto Nacional de Biodiversidade do Equador, que auxiliou o pesquisador à concluir que se tratava de uma espécie totalmente nova.

Para entender melhor a nova espécie, o animal foi observado em laboratório. Os pesquisadores analisaram o seu comportamento, hábitos de caça e padrões de movimento, além de também terem investigado a sua anatomia, observando os seus órgãos e estruturas com mais detalhes. Mas a característica que, sem dúvidas, chamou a atenção dos cientistas foi a sua capacidade de imitar o fungo.

Quem engana por último, engana melhor

A descoberta oferece novos conhecimentos sobre a evolução do mimetismo no mundo animal. A aranha Taczanowskia waska, na verdade, imita o corpo de frutificação do gênero Gibellula por meio de estruturas alongadas no seu abdômen, que assumem uma superfície pálida.

Como comportamento adaptativo, o aracnídeo aprendeu a “fingir” uma infecção para sobreviver de predadores e enganar presas — Foto: Zootaxa
Como comportamento adaptativo, o aracnídeo aprendeu a “fingir” uma infecção para sobreviver de predadores e enganar presas — Foto: Zootaxa

A semelhança é tão precisa que o animal permanece imóvel na parte inferior das folhas, posicionando-se no local onde a espécie fúngica é tipicamente encontrada. Segundo Bentley, o aracnídeo evoluiu ao ponto de “entender” que parecer algo morto ou contaminado reduz as chances de ser atacado.

Predadores que conhecem esse tipo de fungo tendem a evitar qualquer coisa que pareça minimamente contaminada, já que o risco de se tornar um organismo hospedeiro do parasita é alto demais. Então, ao parecer “infectada”, o animal ganha uma espécie de “escudo psicológico”. Os pesquisadores também acreditam que a imitação os auxilia na caça, já que a sua inércia nas folhas pode surpreender presas com mais facilidade.

Essa combinação de aparência física e comportamento sugere um alto grau de adaptação, especificamente um mimetismo mais sofisticado do que o comum. Não à toa, a nova espécie é considerada rara e, como consequência, muitos aspectos de sua ecologia permanecem desconhecidos.

O que se sabe é que a descoberta é um grande destaque sobre a biodiversidade das regiões tropicais e a participação do fórum online de consultas públicas é um exemplo de como incentivar a “ciência cidadã”.

Nadine Dupérre, do LIB, afirmou que “descobertas como essas demonstram o valor das coleções científicas“, acervos de espécimes animais guardadas em museus e universidades que, muitas vezes por décadas, acabam “esquecidas” por pesquisadores. “Elas nos permitem classificar novas espécies e compará-las com espécimes históricos. Aliadas à colaboração internacional, isso abre novas oportunidades para a pesquisa da biodiversidade”.

(Por Júlia Sardinha)

Astrogildo Aécio Nunes

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