Algodão recua em Mato Grosso, apesar da alta no mercado internacional

O mercado do algodão em Mato Grosso segue pressionado pela oferta disponível e pelo baixo volume de negociações, apesar da valorização da pluma no cenário internacional. Entre os dias 19 e 23 de outubro, o preço médio no estado recuou 0,36%, para R$ 126,44 por arroba, segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O movimento ocorre em um cenário de baixa liquidez no mercado brasileiro, com produtores e compradores priorizando o cumprimento de contratos negociados antecipadamente. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar elevou a paridade de exportação, que passou a superar as cotações domésticas, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Na bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em dezembro de 2026 registrou média de US$ 0,8077 por libra-peso na semana de 19 a 23 de outubro, alta de 0,57% em relação à semana anterior.
De acordo com o Imea, a valorização internacional foi impulsionada pelas preocupações com os efeitos das chuvas sobre a colheita de algodão nos Estados Unidos e pelo interesse de compra das indústrias em preços próximos de US$ 0,80 por libra-peso.
Apesar desse cenário externo mais favorável, a maior disponibilidade de pluma no mercado interno e a baixa liquidez limitaram o avanço das cotações em Mato Grosso.
Negociações de algodão seguem limitadas no Brasil
Segundo o Cepea, as negociações de algodão em pluma continuam restritas no mercado brasileiro, em meio às incertezas políticas e econômicas e à prioridade dos agentes em cumprir contratos a termo.
O volume expressivo de negócios realizados antecipadamente também reduz a necessidade de novas aquisições no mercado spot, no qual as negociações ocorrem para entrega imediata ou em prazo próximo.
Com os preços domésticos enfraquecidos, a valorização do dólar contribuiu para elevar a paridade de exportação, referência que compara o valor recebido pela venda do produto no mercado externo, convertido em reais e ajustado pelos custos envolvidos, com os preços praticados internamente.
Esse cenário pode melhorar a competitividade das exportações brasileiras, mas não garante uma reação imediata das cotações domésticas. Para que os preços avancem, será necessário observar como a oferta disponível se comporta diante do interesse dos compradores.
Exportações americanas de algodão avançam
Os embarques de algodão dos Estados Unidos também apresentam crescimento no início da temporada 2026/27.
Na semana encerrada em 15 de outubro, os embarques americanos somaram 45,51 mil toneladas, avanço de 35,01% em relação à semana anterior.
Considerando as duas semanas de outubro contabilizadas no levantamento, o volume chegou a 79,22 mil toneladas, alta de 21,73% na comparação com o mesmo período da temporada 2025/26.
No acumulado de agosto até a parcial de outubro de 2026, os embarques totalizaram 433,65 mil toneladas, crescimento de 29,32% em relação ao intervalo equivalente da safra anterior.
O desempenho tem sido favorecido pelo aumento das entregas ao Vietnã, importante destino do algodão americano. Até 15 de outubro, os embarques destinados ao país asiático somaram 135,87 mil toneladas na temporada, avanço de 23,65% em relação ao período correspondente do ciclo anterior.
Segundo os dados apresentados pelo Imea, o movimento ocorre em um cenário de revisão positiva das estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o consumo de algodão pela indústria têxtil vietnamita.
USDA mantém projeção para exportações dos Estados Unidos
Mesmo com o crescimento dos embarques, o USDA manteve a estimativa de exportações americanas de algodão em 2,68 milhões de toneladas para a temporada 2026/27.
A manutenção do ritmo de compras e das entregas internacionais nas próximas semanas será determinante para avaliar a possibilidade de uma revisão positiva dessa projeção.
Para Mato Grosso, a evolução das exportações americanas e o comportamento das cotações internacionais permanecem entre os fatores que podem influenciar as referências de negociação da pluma.
No curto prazo, entretanto, a disponibilidade interna, a demanda dos compradores e o cumprimento dos contratos já firmados devem continuar condicionando a formação dos preços.
A avaliação do Imea é de que o equilíbrio entre a oferta disponível e o interesse comprador deverá orientar o mercado nas próximas semanas, ainda sem sinais claros de movimentos expressivos nas cotações estaduais.
Fonte: CenárioMT






