A trágica história do elefante que recebeu a maior dose de LSD do mundo

A trágica história do elefante que recebeu a maior dose de LSD do mundo
O elefante Tusko foi vítima de um experimento no qual ele recebeu a maior dose de LSD do mundo; na foto acima, à esquerda, é possível ver um outro elefante indiano no estado conhecido como 'musth' — Foto: Wikimedia Commons; Guinness Records

A dose mais alta de LSD já administrada na história foi aplicada em um elefante-indiano (Elephas maximus indicus) de 3,2 mil quilos em 1962. O animal morador do Zoológico de Oklahoma City, nos Estados Unidos, foi alvo de um experimento controverso conduzido por psiquiatras.

Conforme o Guinness, West era um membro documentado no Projeto MKUltra, um programa ilegal de experimentação humana desenvolvido pela CIA para identificar formas de lavagem cerebral, tortura psicológica e obtenção forçada de confissões de pessoas durante interrogatórios. Entre os métodos do programa, estavam não só a administração secreta de drogas psicoativas como também a privação sensorial, hipnose, isolamento e abuso sexual.

West e Pierce estavam tentando induzir Tusko ao estado de “musth”, um surto hormonal agressivo, quando os elefantes machos secretam um fluido pegajoso entre os olhos e as orelhas. Porém, o animal não atingiu a condição, morrendo após a injeção de LSD.

Cerca de cinco minutos depois da aplicação, o elefante trombeteou uma vez, caiu e defecou. Depois, seus olhos rolaram para trás e se fecharam. Suas pernas ficaram rígidas, ele mordeu a língua e sua respiração ficou difícil.

Exemplo de elefante indiano em estado de musth — Foto: Wikimedia Commons
Exemplo de elefante indiano em estado de musth — Foto: Wikimedia Commons

Os médicos administraram promazina, um medicamento antipsicótico, além de uma dose do barbitúrico pentobarbital sódico. Porém, uma hora e quarenta minutos após o início do experimento, Tusko faleceu.

“Parece que o elefante é altamente sensível aos efeitos do LSD — uma descoberta que pode ser valiosa no controle de elefantes na África”, West e Pierce registraram em seu artigo de pesquisa.

Mas teria o LSD sozinho matado o elefante? Alguns pesquisadores acreditavam que o erro fatal dos médicos foi aumentar a dose do psicodélico na proporção erradasem considerar o peso cerebral e a taxa metabólica do animal. Outros atribuíram a morte à combinação das drogas administradas durante sua convulsão.

Ronald K. Siegel, psicofarmacologista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA), defendeu que a droga psicodélica não matou Tusko. Para provar sua teoria, ele colocou doses equivalentes de LSD na água potável de outros dois elefantes. Ambos sobreviveram ilesos, embora tenham exibido comportamento anormal por várias horas.

Psiquiatria perigosa

Antes do acontecimento que matou o elefante-indiano, o psiquiatra Louis Jolyon West já fazia experimentos arriscados. Em um de seus feitos mais conhecidos, em 1959, o médico supervisionou o locutor de rádio Peter Tripp enquanto ele tentava quebrar o recorde de maior tempo sem dormir.

O locutor ficou acordado por 8 dias e 9 horas, levando seu estado mental a se deteriorar temporariamente; médicos chamaram seu estado de “psicose noturna”.

Após a morte de Tusko, West continuou seu trabalho para a CIA. No mesmo ano, ele foi nomeado psiquiatra do dono de boate Jack Ruby, que assassinou Lee Harvey Oswald dois dias depois de Oswald ser acusado de matar o presidente John F. Kennedy em novembro de 1963. West sugeriu que Ruby fosse interrogado sob a influência de tiopental de sódio e hipnose.

Enquanto isso, o outro psiquiatra do experimento de Tusko, Chester M. Pierce, deixou para trás esses seus feitos sinistros, virando o presidente fundador da instituição Psiquiatras Negros da América. Ele se manifestou sobre o racismo nos Estados Unidos e se tornou consultor sênior do programa de TV infantil Vila Sésamo.

(Redação Galileu)

Astrogildo Aécio Nunes

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