A conveniência das flores no Dia Internacional da Mulher

Emirella Martins
Mais um Dia Internacional da Mulher. Data oficializada pela Organização das Nações Unidas – ONU em 1975 como reconhecimento da luta das mulheres, consagrando as pontuais conquistas ocorridas ao longo dos séculos. Mas, devido a perversa realidade vivenciada por meninas e mulheres, as celebrações ficaram em segundo plano. Atualmente, o dia se tornou mês da mulher e representa reflexões e reivindicações pela equidade de gênero, oportunidades e direitos, acesso à justiça, representatividade política e combate a todos os tipos de violências contra as mulheres, além do enfrentamento pelo fim da misoginia e do machismo, onde tudo começa.
Todos os dias temos notícias de violências contra mulheres, seja a violência física como feminicídio, a violência sexual com o estupro coletivo, a violência política por atos disfarçados de legalidades que cerceiam o exercício da função pelo qual a mulher foi eleita, a revitimização institucional que concorre para o feminicídio, o discurso de ódio dos redpill em que generaliza e define que “toda mulher é vagabunda até que prove o contrário”, e assim segue.
Mas o Dia Internacional da Mulher são todos os dias para nós. Aliás, só por hoje não morri por ser mulher, só por hoje não fui invalidada por ser mulher, só por hoje não fui assediada, e assim segue os dias.
Mas para o homem, passa despercebido? Também não, principalmente aqueles com notória presença social. Para o homem tem a conveniência das flores acompanhado de agradecimentos vazios e generalistas. Tudo para não aprofundar sobre sua responsabilidade e compromisso com a mudança que todos dizem desejar. Este ritual das flores no Dia Internacional da Mulher também ocorre em outros países, como Itália e Rússia. Este último dobra a venda de flores nos dias próximos à data. Em outros, líderes políticos fazem o tradicional discurso às mulheres.
Enfim, a melhor celebração para o Dia Internacional da Mulher ocorrerá quando a nossa existência, nossas escolhas e nossos feitos forem respeitados. Neste dia, todas as leis e políticas públicas para mulheres serão desnecessárias.
Emirella Martins – Coronel Veterana da PMMT, Mestranda em Violencia Doméstica y de Género, Pós-Graduada e palestrante na área.
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