O ano já está se despedindo

O ano já está se despedindo
Reprodução/ MidiaNews.

GABRIEL NOVIS NEVES

Parece que foi ontem que recebemos janeiro de braços abertos, carregados de esperanças e promessas. De repente, outubro se despede, novembro bate à porta e dezembro começa a enfeitar as vitrines.

“Na juventude, o tempo parecia caminhar de mãos dadas com a nossa impaciência”

Os anos estão passando com uma pressa que me surpreende! Quando menino, as férias demoravam uma eternidade para chegar.

Hoje, mal guardamos os enfeites de Natal e já estamos pensando em retirá-los novamente das caixas. O calendário continua o mesmo. Quem mudou fomos nós.

Na juventude, o tempo parecia caminhar de mãos dadas com a nossa impaciência. Recordo meus anos de estudante de Medicina no Rio de Janeiro.

A mesada enviada por meu pai, de Cuiabá, levava uma eternidade de trinta dias para chegar.

Contava os dias na folhinha, esperando o primeiro do mês para tomar o bonde até o centro da cidade e retirar o dinheiro no Banco do Brasil.

Meu pai jamais se esqueceu daquele compromisso. Guardo com carinho a lembrança da carta que escrevi à minha mãe, pedindo que avisasse a ele que não precisava mais enviar a mesada.

Aprovado em dois concursos para acadêmico de Medicina, meus honorários já garantiam minha manutenção.

Era hora de ajudar meus irmãos Pedro e Inon, também estudantes no Rio.

Naquele tempo, até as férias pareciam intermináveis.

Voltava a Cuiabá, matava as saudades da família e, depois de tantos dias, desejava regressar aos estudos.

Hoje, novembro chega trazendo os primeiros sinais do Natal.

Da janela do meu apartamento, observo o edifício em frente iluminado pelas tradicionais lâmpadas natalinas, que permanecerão acesas até depois do Dia dos Reis.

Tudo passa depressa demais.

Talvez a vida não esteja correndo mais.

Somos nós que, envelhecendo, aprendemos a contar o tempo pelas saudades.

Gabriel Novis Neves é médico e fundador da UFMT

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