Além do presidente do TCE-MT, consultor jurídico e assessores teriam sido presos pela PF

A Polícia Federal prendeu seis pessoas na manhã desta quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos administrativos, favorecimento de fornecedores e movimentações financeiras atípicas no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). Entre os presos, segundo apuração do HNT, está o presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida. A ofensiva, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mobiliza mais de 180 policiais federais em três estados.
Além de Sérgio Ricardo, os demais alvos dos mandados de prisão preventiva seriam Roseli Loss; Grhegory Paiva Pires Moreira; Adriangelo Barros Antunes; Gustavo Fernandes da Silva; e Felipe José Glinke.
Grhegory Paiva Pires Moreira Maia é procurador de carreira da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) desde 2014 e está cedido ao TCE-MT, onde exerce a função de consultor jurídico-geral desde fevereiro de 2020.
Roseli Loss, secretária-executiva do TCE-MT, também integra o grupo de investigados. Ela já atuava no gabinete de Sérgio Ricardo e foi nomeada, em janeiro de 2024, chefe de gabinete do conselheiro, após ocupar a função de assessora técnico-jurídica. Atualmente, também exerce a vice-presidência da Associação dos Servidores Comissionados do Tribunal de Contas (Assecom-MT), cuja diretoria tomou posse em agosto deste ano.
Outro preso, Adriangelo Barros Antunes, possui vínculo funcional com a Assembleia Legislativa e teve sua cessão ao TCE-MT formalizada em outubro de 2021. Na Corte de Contas, participou de atividades da Comissão Permanente de Meio Ambiente e Sustentabilidade, na condição de secretário-executivo, e atualmente ocupa o cargo de tesoureiro da Assecom-MT, entidade da qual Roseli também faz parte.
Gustavo Fernandes da Silva também possui histórico de atuação no Tribunal de Contas. Em setembro de 2021, ele foi assessor da Presidência durante uma visita institucional de representantes do TCE-MT ao Tribunal de Contas de São Paulo (TCESP), destinada à troca de experiências sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Registros funcionais posteriores, de 2023, indicam sua lotação na Consultoria Jurídica-Geral da instituição.
Felipe José Glinke, por sua vez, é advogado e integra o quadro de servidores do TCE-MT. Ele foi nomeado por Sérgio Ricardo, em janeiro de 2024, para exercer o cargo comissionado de assessor jurídico da Presidência, conforme ato publicado no Diário Oficial de Contas. Antes da nomeação, ocupava a função de assessor técnico-jurídico III.
Sérgio Ricardo e os demais investigados foram conduzidos à sede da Polícia Federal, na Avenida do CPA, em Cuiabá. A operação mobiliza mais de 180 policiais federais para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, além de medidas de afastamento de sigilos e sequestro de bens. As determinações judiciais são cumpridas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Segundo a Polícia Federal, uma das principais linhas de investigação é a suspeita de que a suspensão de contratos administrativos tenha sido utilizada como instrumento de pressão contra empresas fornecedoras de serviços ao Tribunal de Contas. A corporação também apura possíveis tratamentos diferenciados na liberação de recursos públicos e divergências nos valores pagos a empresas contratadas pela instituição.
As investigações abrangem ainda movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo servidores públicos e saques recorrentes de dinheiro em espécie. Os policiais buscam esclarecer possíveis relações entre créditos bancários e retiradas realizadas nas dependências do próprio TCE-MT.
As condutas investigadas podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Até o momento, a Polícia Federal não detalhou a participação individual atribuída a cada um dos seis investigados nas supostas irregularidades.
A operação segue sob responsabilidade da Polícia Federal, com medidas autorizadas pelo STJ. As suspeitas ainda estão em fase de investigação e não representam condenação dos envolvidos.
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(HNT)






