Compromisso de escutar sem perder de vista as responsabilidades de governar

Compromisso de escutar sem perder de vista as responsabilidades de governar
Fotos: Divulgação

Por Gisela Simona

Hoje é o Dia do Servidor Público. Ao longo de 25 anos de serviço, aprendi que, por trás de cada atendimento e de cada serviço prestado à população, existe um profissional que carrega responsabilidades, enfrenta desafios e precisa de condições adequadas para exercer sua função. Cabe, portanto, ao poder público contribuir para o cuidado com a saúde física e mental desses profissionais. Pois quando têm acesso facilitado ao atendimento e ao bem-estar, ganham eles, suas famílias e toda a sociedade, com um trabalho mais humano, eficiente e capaz de transformar vidas.

É sob esse olhar que tenho a convicção de que compreender as necessidades das pessoas é o primeiro passo para construir respostas efetivas.

Agora, na condição de vice-governadora eleita, essa compreensão se amplia diante da responsabilidade de observar a máquina administrativa em sua totalidade, reconhecendo tanto as legítimas reivindicações de quem trabalha na estrutura governamental quanto as múltiplas demandas de uma população que espera oportunidades, serviços de qualidade e melhores condições de vida.

A dimensão de uma unidade federativa não se mede apenas pelo tamanho de sua economia, pelo volume de suas obras ou pelos números de suas contas. Mede-se, igualmente, pela capacidade de transformar recursos em qualidade de vida, promovendo equidade e distribuindo oportunidades de maneira mais justa. Nesse processo, é indispensável reconhecer o protagonismo dos servidores que dão concretude às políticas públicas, sem perder de vista, porém, as demais necessidades da sociedade e os compromissos assumidos com o desenvolvimento de Mato Grosso.

Ao participar, nesta semana, de programações, eventos e rodas de conversa em homenagem à categoria, quero falar não apenas como alguém que construiu sua trajetória profissional nessa área, mas também como quem reconhece a dimensão dos desafios que temos pela frente. A experiência de quem conhece essa realidade por dentro se soma, agora, à responsabilidade institucional de contribuir para uma interlocução mais próxima, transparente e permanente entre o governo e seus quadros funcionais.

Uma interlocução que precisa, inclusive, do reconhecimento que a pauta não se resume à remuneração, embora a política salarial, a Revisão Geral Anual (RGA) e a discussão sobre perdas acumuladas sejam questões legítimas e relevantes. Mas há também demandas relacionadas à reestruturação de carreiras, à realização de concursos públicos, à convocação de aprovados, às condições de trabalho e à valorização profissional.

Ao mesmo tempo, com uma responsabilidade que contemple o conjunto das necessidades administrativas e permita encontrar alternativas sem comprometer outras ações igualmente importantes para a população.

Assim, mais do que receber reivindicações e encaminhá-las de uma mesa a outra, precisamos fortalecer mecanismos permanentes de negociação, sustentados pela transparência e pela responsabilidade fiscal. Isso significa examinar cada demanda, avaliar seus impactos orçamentários e compreender os limites jurídicos e financeiros que condicionam as decisões. Significa, ainda, não antecipar soluções antes de conhecer sua viabilidade, tampouco criar expectativas que não possam ser atendidas.

O fundamental nessa interlocução é estabelecer uma relação de confiança, na qual os compromissos assumidos tenham fundamento e os encaminhamentos sejam acompanhados de uma análise honesta sobre o que é possível fazer, em quais condições, com quais prioridades e em que horizonte de tempo. Desta forma, um caminho que exige planejamento, negociação e compromisso público. Sobretudo, uma relação madura entre governo e seus profissionais para que as discussões não se limitem aos momentos de conflito, às datas-base ou aos períodos de mobilização. Entendendo que a escuta ativa só cumpre seu papel quando se converte em análise, encaminhamento e, sempre que possível, solução.

E, agora, como vice-governadora, transformando essa vivência em instrumento de aproximação, contribuindo para que as reivindicações cheguem ao governador Otaviano Pivetta e sejam examinadas com a atenção que merecem. Um compromisso, claro, que caminha junto à compreensão de que governar é conciliar necessidades legítimas, administrar recursos limitados e construir soluções que atendam ao interesse público em sua dimensão mais ampla.

Assim, neste 28 de outubro, minha homenagem a cada servidor se traduz, portanto, no compromisso em trabalhar por uma relação pautada no respeito, no diálogo permanente e na busca de soluções responsáveis. Um caminho que concilie a valorização de quem faz os serviços públicos acontecerem, o equilíbrio das contas e o compromisso com toda a população mato-grossense.

Gisela Simona é servidora e vice-governadora eleita por Mato Grosso

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