“Quando pegou R$ 100 mil, eu que botei a câmera para filmar”: MP apura se vereador ameaçou colega em troca de apoio

“Quando pegou R$ 100 mil, eu que botei a câmera para filmar”: MP apura se vereador ameaçou colega em troca de apoio
Reprodução/Olhar Direto

Relatório da Operação Cathedra Venalis, que apura esquema de corrupção na Câmara de Várzea Grande, apura se o vereador Kleberton Feitoza (PSB) teria feito chantagens e ameaças contra seu colega de parlamento Caio Cordeiro (Novo) relacionadas à recusa deste em suspender a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga concessão do transporte público na cidade. Segundo as apurações, o objetivo de Feitoza seria pressionar Caio a apoiar Wanderley Cerqueira (MDB) na reeleição como presidente da casa, bem como os projetos de interesse dele, como é o caso do contrato com a empresa União Transportes.

A União tem como socio-proprietário Eduardo Botelho, irmão do deputado Eduardo Botelho, e é citada no inquérito da ofensiva deflagrada na última terça-feira (20) contra suposto esquema de corrupção envolvendo “mensalinho” e negociações paralelas para reeleger Wanderley Cerqueira (MDB) como presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande.

Em seu depoimento e nas gravações e documentos entregues ao Ministério Público, o vereador Caio Cordeiro relatou a existência de interlocuções gravadas nas quais foi sugerido o pagamento de propina para que ele desistisse de instaurar a CPI do Transporte Público. Em um desses documentos, um dos interlocutores alinhados ao grupo de Wanderley teria afirmado que “até mesmo o valor de R$ 2 milhões seria insuficiente para solucionar a questão”, demonstrando interesse em blindar o contrato da empresa.

Relatou ainda que o próprio presidente da Câmara, Cerqueira, ofereceu-lhe dinheiro e vantagens políticas para que ele abandonasse a oposição e se alinhasse à base governista, na casa dos R$ 100 mil.

Em relação aos registros que dizem respeito à supostas ameaças feitas por Feitoza, há um áudio em que um interlocutor teria o questionado “o senhor tem acompanhado a briga pela mesa diretora, o que o senhor acha?Como se posicionaria?”; e, em seguida, “o que disseram ao Caio? Quando você pegou os cem cruzeiros, que vocêdeu tremedeira lá, foi eu, foi eu que estava lá, eu que botei a câmera para filmar você, seuporcaria.”

Segundo os relatos, essas gravações entregues por Cario e que pertenceriam a Feitoza, seriam usadas como instrumento de constrangimento e pressão política sobre parlamentares que manifestassem intenção de não apoiar Wanderley, com a finalidade de assegurar a manutenção do alinhamento político e dos interesses vinculados ao referido grupo.

“Nesse contexto, de acordo com o denunciante, o Vereador Kleberton Feitosa teria utilizado o referido acervo de vídeos para coagir ou ameaçar a vereadora Rosi Prado – UNIÃO (Rosemary Souza Prado), supostamente em razão de gravação(s) na qual ela teria sido filmada recebendo valores do alegado esquema”, diz trecho do inquérito que aponta ainda ofensivas de Feitoza contra Rosi Prado.

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A investigação apura a existência de um suposto esquema de corrupção e negociação de apoio político envolvendo vereadores, empresários e outros agentes ligados à Câmara de Várzea Grande.

Além de Wanderley Cerqueira, também foram alvos os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).

E ainda a diretora financeira da Casa, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL). Por Cuiabá, são alvos os vereadores Alex Rodrigues e Ilde Taques, do Podemos.

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(Olhar Direto)

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