Gallo acusa Lula de ‘revanchismo’ contra o agro e diz que MT pode rever perdas a partir de 2027 com novo governo

Gallo acusa Lula de ‘revanchismo’ contra o agro e diz que MT pode rever perdas a partir de 2027 com novo governo
Crédito: Olhar Direto

O ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo afirmou que o governo federal foi marcado por uma postura de “revanchismo” em relação ao agronegócio, o que, na avaliação dele, prejudicou o Estado durante a construção da reforma tributária.

Governo pode retomar demissão voluntária para cortar gastos e projeta mudanças no funcionalismo com IA
Ele acredita que uma mudança no comando do país a partir de 2027 pode abrir espaço para rever pontos das novas regras e reduzir as perdas financeiras previstas para Mato Grosso.

Em 2024, o então governador Mauro Mendes (União) estimou que Mato Grosso poderia perder entre 20% e 25% da arrecadação com a reforma tributária, o equivalente, à época, a R$ 7 bilhões ou R$ 8 bilhões por ano. Mais recentemente, o impacto voltou ao debate diante de projeções de perdas que podem chegar a R$ 10 bilhões.

Gallo reconheceu que os efeitos serão relevantes para o Estado, cuja economia tem forte participação da produção agropecuária. Com a reforma, a tributação deixa de se concentrar no local de produção e passa a considerar o destino do consumo, o que tende a afetar Mato Grosso, que produz em larga escala para abastecer outros mercados.

“Não podemos colocar isso debaixo do tapete, porque senão nós seríamos irresponsáveis”, afirmou.

Segundo o ex-secretário, o Estado não teve força política suficiente para emplacar propostas que amenizassem os impactos durante a tramitação da reforma, em 2023. Ele citou a representação de Mato Grosso no Congresso Nacional, com três senadores e oito deputados federais, como um dos fatores que dificultaram a articulação.

Gallo também criticou a distribuição dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR). Segundo ele, Mato Grosso receberá cerca de R$ 1 bilhão de um fundo de R$ 60 bilhões, enquanto estados como São Paulo e Bahia terão repasses significativamente maiores.

“Me parece que a agenda da eficiência, a agenda econômica, ela pode ganhar o centro, ao invés de alguns revanchismos que infelizmente acabaram contaminando a relação”, declarou.

Expectativa de revisão

Gallo relacionou as dificuldades enfrentadas por Mato Grosso à relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o agronegócio. Na avaliação dele, o setor tem peso expressivo na economia nacional e, como Mato Grosso representa cerca de 30% do agronegócio brasileiro, o Estado acabou sendo prejudicado pelas divergências políticas.

“Como o agronegócio em Mato Grosso representa 30% do agronegócio nacional, nosso Estado acabou sofrendo. E a reforma tributária foi um reflexo”, afirmou.

Apesar das críticas, o ex-secretário avalia que ainda existe espaço para mudanças. Ele aposta que um novo cenário político nacional, a partir de 2027, poderá favorecer a revisão de dispositivos da reforma, especialmente aqueles relacionados ao financiamento dos governos estaduais e municipais.

“Eu acredito que, em um novo contexto político a partir de 2027, sim, é possível fazer uma revisão de pontos da reforma tributária, especialmente relacionados ao financiamento público do governo do Estado e também dos municípios”, comentou.

(Olhar Direto)

Crédito: Olhar Direto

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?