Visita de Abilio à Câmara rende novo bate-boca entre oposição e base durante sessão

Vereadores da oposição e da base do prefeito Abilio Brunini (PL) protagonizaram mais um bate-boca durante a sessão ordinária da Câmara de Cuiabá nesta terça-feira (29). A discussão começou após a 1ª vice-presidente da Mesa, Maysa Leão (Republicanos), criticar a visita do prefeito ao Legislativo e questionar declarações de Abilio sobre uma possível vitória da oposição na eleição da Mesa Diretora.
Segundo Maysa, a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), deixou a Mesa durante a sessão para se reunir com Abilio, que estava no prédio. A vereadora também criticou a declaração do prefeito de que uma Mesa formada pela oposição poderia provocar tumulto na gestão municipal.
“Ele diz para a população cuiabana que se a oposição ganhar a mesa diretora, Cuiabá não vai evoluir e será tumultuado qualquer decisão importante. Um homem que é incapaz de enviar decisões importantes para essa casa”, afirmou Maysa.
A visita ocorreu justamente na data em que estava prevista a votação do projeto apresentado pelo vereador Marcus Brito (PV) que altera o Regimento Interno para possibilitar a reeleição de Paula Calil. A proposta é de interesse do prefeito, que vem sendo alvo de críticas de vereadores da oposição por suposta interferência na disputa pela Mesa Diretora
Maysa defendeu a independência do Legislativo e afirmou que a presença de oposição ou de vereadores independentes não significa tumulto na Câmara. “Não existe tumulto quando existe oposição, não existe tumulto quando existe independência, existe democracia, existe discussão”, declarou.
Na sequência, a 1ª secretária da Mesa, Katiuschia Mantelli (Podemos), que estava sentada na cadeira da Presidência enquanto Paula estava reunida com o prefeito, também criticou a declaração de Abilio. Ela afirmou que a oposição votará projetos que considerar positivos para Cuiabá, mas rejeitou a ideia de transformar a Câmara em uma extensão do Executivo.
“Pode ter certeza, o que for de projeto bom para Cuiabá, esta oposição vai votar. O que nós não vamos aceitar é ter um puxadinho, onde o prefeito vem, onde o prefeito manda, onde o prefeito quer ditar as regras”, declarou.
A fala provocou reação da líder da base do prefeito na Câmara, a vereadora e primeira-dama Samantha Iris (PL), que pediu questão de ordem para questionar as críticas à presença de Abilio no Legislativo. Katiuschia esclareceu que sua manifestação não era contra a visita, mas contra a declaração do prefeito sobre a possibilidade de a gestão ficar tumultuada caso a oposição assumisse a Mesa.
O vereador Wilson Kero Kero (Podemos), da base, também entrou na discussão para defender Samantha. Maysa retornou à cadeira da Presidência e tentou encerrar o bate-boca, enquanto os parlamentares insistiam em questões de ordem.
Ao final, o vereador Demilson Nogueira questionou a posição de Katiuschia na cadeira da Presidência. Ele afirmou que, com a presença da 1ª vice-presidente Maysa Leão e da 2ª vice-presidente Michelly Alencar (União), caberia a elas ocupar a Presidência na ausência de Paula, e não à 1ª secretária.
“A mesa, ela é composta por cinco membros, um presidente, um primeiro vice-presidente, segundo vice-presidente, primeiro secretário, segundo secretário. Estando presente o primeiro, a primeira vice, estando presente a primeira secretária, não deve o primeiro secretário usar a presidência até inclusive para fazer discurso”, disse.
A discussão ocorreu em meio à disputa pela composição da próxima Mesa Diretora, que ganhou novos contornos após a saída da vereadora Baixinha Giraldelli do grupo de Dilemário Alencar e sua adesão ao bloco de Ilde Taques. A mudança deixou o grupo de Ilde com 15 vereadores, enquanto Paula Calil reúne 11 parlamentares.
(Leiagora)






