Do telex à inteligência artificial: Stelmat celebra 42 anos de história em Cuiabá

Do telex à inteligência artificial: Stelmat celebra 42 anos de história em Cuiabá
Fotos: Divulgação

Parece que foi ontem. Sem carro, os irmãos Allan e Emmanuel Araújo pegaram carona na boleia de um caminhão para entregar um telex, equipamento que, antes do fax e dos aplicativos de mensagens, era sinônimo de comunicação rápida entre empresas. Allan tinha 17 anos.

“Eu tinha uma cara de criança”, recorda, rindo. Quatro décadas depois, vê naquele adolescente o próprio filho, hoje com a mesma idade que ele tinha quando ajudava a construir o que se tornaria a Stelmat.

O capital inicial veio de casa: o pai deu aos filhos uma linha telefônica, bem valioso e difícil de conseguir na época. “Era essencial para a abertura da empresa, e foi o que ele conseguiu dar para nós”, conta Allan.

Desse começo, construído “com muito sacrifício”, nasceu uma empresa cuiabana. Em 24 de setembro, a Stelmat celebrou 42 anos ao lado de colaboradores, amigos e empresários do setor de tecnologia.

No início, a empresa vendia hardware, sem fabricar ou desenvolver produtos próprios. Seu diferencial era compreender o problema do cliente antes de oferecer a tecnologia. “A gente era um intérprete. Conhecia as dores dos clientes e tinha boas parcerias com os fabricantes”, explica Allan. Mais tarde, o mercado chamaria esse papel de integrador de soluções.

Do telex, a Stelmat avançou para o PABX e o cabeamento estruturado, serviços que ainda integram seu portfólio. Depois vieram switches, servidores e armazenamento de dados. Um marco ocorreu em 2000, com a implantação da rede de fibra óptica do Centro Político Administrativo, em Cuiabá.

A velocidade das mudanças exigiu atenção constante. “Na tecnologia, a gente dorme com uma verdade e amanhece com outra”, resume Allan. Para acompanhar o setor, a empresa observa o mercado dentro e fora do país. Em dois anos, foram quatro ou cinco viagens à China, sem abandonar as relações construídas com fabricantes norte-americanos. “A gente não tem ideologia que monte fronteiras”, afirma.

Uma empresa feita também de trajetórias

A história da Stelmat também é contada por quem cresceu dentro dela. Lumara Lobo, hoje diretora de Projetos do Grupo Stelmat, chegou há 17 anos como estagiária de Sistemas de Informação para trabalhar no monitoramento da infovia de Cuiabá.

“A Stelmat é uma escola. Ela te abre espaços para ter conhecimento em diversas áreas da tecnologia”, diz. Ao começar a elaborar projetos de redes, percebeu que precisava cursar Engenharia Elétrica para poder assiná-los. Interessada em conectividade, recebeu apoio da empresa para se capacitar e obter uma certificação em São Paulo, em viagens realizadas ao longo de dois meses.

Lumara também construiu sua carreira em áreas historicamente marcadas pela presença masculina. “Quando eu entrei, nós éramos cinco mulheres na área técnica”, lembra. Segundo ela, a empresa não fazia distinção entre homens e mulheres na distribuição de oportunidades.

Em 2017, antes de concluir Engenharia Elétrica, assumiu a gerência comercial. Ajudou a estruturar as áreas de pré-vendas, licitações e contratos e a incluir profissionais técnicos nas negociações. “Se um arquiteto sai para vender, por que o engenheiro também não pode sair?”, questiona.

Mais tarde, assumiu a diretoria de Projetos, acompanhando as iniciativas da concepção à entrega. Nesse percurso, acumulou formações em Sistemas de Informação, Segurança da Informação, Engenharia Elétrica, Engenharia de Segurança do Trabalho e Redes de Computadores. “Muito orgulho por ter começado lá como estagiária”, afirma.

De integradora a protagonista

Aos 42 anos, a Stelmat já não se limita a integrar tecnologias de outros fabricantes. Há dois anos, criou um laboratório de inovação para, nas palavras de Allan, “passar a ser protagonista nas soluções”.

Dessa iniciativa surgiu o Aluno Presente, voltado ao acompanhamento da frequência dos estudantes nas escolas municipais e ao controle da merenda escolar, para melhorar a gestão e reduzir desperdícios.

A experiência com sistemas de CFTV também deu origem à Stelseg, empresa de segurança com monitoramento 24 horas e cerca de 800 clientes. “Ela já nasceu com 41 anos de experiência”, diz Allan.

Entre as soluções recentes está uma tecnologia apresentada na Conecta MT, feira promovida pela CDL e pelo Sebrae. Ela transforma câmeras em sensores de presença e envia alertas para que operadores possam intervir remotamente, inclusive por voz, na tentativa de inibir invasões.

A nova fronteira: inteligência artificial

A transformação mais recente chegou pelo software e pela inteligência artificial. Na comemoração dos 42 anos, o CEO do Grupo Stelmat, Sandro Araújo, contou que a empresa já trabalha com um servidor próprio de inteligência artificial. Segundo ele, em uma experiência interna, um desenvolvedor júnior entregou em 15 dias um módulo que levaria meses pelos métodos tradicionais.

“Não fomos nós que mudamos. O mundo mudou em três meses”, afirmou. Diante da rapidez dessa mudança, Sandro desafiou a equipe a desenvolver capacidades que diferenciam as pessoas das máquinas: comunicar-se, compreender o outro e “entender a humanidade e a necessidade do próximo”.

Em 1984, dois irmãos adolescentes dependiam de uma carona para entregar um telex. Em 2026, a empresa nascida de uma linha telefônica usa inteligência artificial para desenvolver soluções em uma fração do tempo antes necessário.
Entre uma cena e outra, passaram-se 42 anos, inúmeras tecnologias e gerações de profissionais. Permanece o propósito de uma empresa de raízes cuiabanas: entender o que o cliente precisa e o que vem pela frente. “A gente se orgulha muito de estar no estado e de estar aqui hoje”, afirma Allan.

Do telex à inteligência artificial, a tecnologia mudou quase tudo. A Stelmat aposta que as pessoas continuarão indispensáveis.

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