Mais produtividade por hectare coloca correção do solo no centro do agro de MT

Mato Grosso tem pela frente um desafio que vai além de ampliar a área plantada: fazer cada hectare produzir mais. Em uma agricultura de larga escala, elevar o rendimento das áreas já cultivadas é uma das estratégias para ampliar a produção e melhorar a eficiência dos investimentos. Para isso, além de genética e tecnologia, é preciso garantir condições adequadas de solo para que o potencial das lavouras seja convertido em resultado.
A estimativa mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê 360,8 milhões de
toneladas de grãos na safra brasileira 2025/26, alta de 2,4% sobre o ciclo anterior. A área cultivada deve chegar a 83,5 milhões de hectares, com produtividade média de 4.322 quilos por hectare. Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, a produção da oleaginosa está estimada em 51,6 milhões de toneladas.
Em uma área agrícola dessa dimensão, pequenos ganhos de rendimento representam grandes volumes. É nesse cenário que o manejo do solo ganha relevância. Para o engenheiro agrônomo Carlos Pedro A Santos, especialista da Reical em correção e manejo de solos agrícolas, identificar e corrigir limitações da área é fundamental para que os investimentos feitos na lavoura sejam aproveitados de forma mais eficiente.
“Não adianta trabalhar com uma cultivar de alto potencial ou incorporar novas tecnologias se o ambiente não oferece condições para que elas expressem esse potencial. O resultado depende de um conjunto de fatores, e o solo está entre os principais”, explica.
A evolução genética, a agricultura de precisão, o uso de dados e a mecanização ampliaram a capacidade produtiva das lavouras. O desempenho, porém, também depende das condições químicas e físicas do solo, onde as raízes se desenvolvem e a planta obtém água e nutrientes.
A Embrapa destaca o manejo do solo como um dos fatores determinantes para o desempenho da soja e aponta pesquisas que registraram variações de até 30% na produtividade em função das práticas adotadas.
Nos solos do Cerrado, a correção da acidez é uma das etapas importantes para melhorar o ambiente de produção. A aplicação de calcário contribui para neutralizar a acidez e favorecer o desenvolvimento das raízes e o aproveitamento dos nutrientes.
Essa relação também vem sendo investigada em condições de campo no próprio Mato Grosso. Um estudo realizado em uma propriedade rural de Alto Garças (MT), na safra 2022/23, avaliou diferentes tipos e doses de calcário em uma lavoura de soja cultivada em solo de Cerrado. Intitulado “Produtividade de soja cultivada em solo submetido a calagem com diferentes doses e tipos de calcário”, o trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), entre eles Jaredlamec Pereira dos Santos, primeiro autor da pesquisa.
“Calagem não é uma receita única. A recomendação precisa partir da análise do solo e considerar as características de cada área. O objetivo é corrigir as limitações existentes e criar condições para que as raízes se desenvolvam e a planta consiga aproveitar melhor os nutrientes disponíveis”, afirma Santos.






