“Mato Grosso é governado para meia dúzia de famílias”, afirma Maurício Coelho

O candidato ao Governo de Mato Grosso, Maurício Coelho (Mobiliza), afirmou que o Estado vem sendo governado, nas últimas décadas, em defesa dos interesses de um grupo restrito de famílias ligadas ao setor produtivo. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Ponto de Vista, da TV Cidade Verde.
Na avaliação de Coelho, a forte influência dos grandes grupos do agronegócio sobre a política estadual contribuiu para a criação de políticas voltadas principalmente ao fortalecimento da produção e da exportação de commodities, sem que os benefícios desse crescimento econômico chegassem na mesma proporção à população.
“Você, empresário que tem porta de loja, que tem um comércio para atender a demanda local, quer e precisa que a sociedade no entorno cresça e seja próspera. Agora, quando o empresário é só exportador, para ele não faz diferença a renda das famílias do local em que ele está produzindo. E o nosso erro foi deixar que essa elite política tomasse conta da política do Estado”, afirmou.
O candidato ponderou que a presença de grandes empresas e a atividade exportadora são importantes para a economia mato-grossense, especialmente diante da vocação do Estado para o agronegócio. A crítica, segundo ele, está na concentração da influência política e econômica e na distância entre o desempenho do setor produtivo e a realidade financeira de parte da população.

“Não é ruim para a economia ter grandes empresas com foco na exportação. Mato Grosso tem essa vocação e depende muito do setor produtivo. O problema é quando o crescimento econômico não se transforma em melhoria das condições de vida para quem está aqui”, afirmou.
Produção de alimentos e custo de vida
Como exemplo da contradição que aponta, Coelho citou o custo da cesta básica em Cuiabá. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a capital mato-grossense registrou, no início de agosto, custo médio de R$ 881,27 para a cesta básica, o segundo maior valor entre as capitais pesquisadas, atrás apenas de São Paulo, com R$ 915,01.
“Nós temos visto essa distância de renda entre o grande produtor, aquele que volta suas atividades para a exportação, e a realidade daquela família do motorista de aplicativo, da caixa de supermercado. Como pode o Estado maior produtor de alimentos do país ter uma das cestas básicas mais caras?”, questionou.
Para o candidato, o desafio é fazer com que parte da riqueza gerada pelo crescimento econômico do Estado tenha maior impacto sobre a economia local, estimulando o consumo, a geração de empregos e a melhoria da renda das famílias.






