Após assassinato de adolescente em Lucas do Rio Verde, vereadora cobra rigor na fiscalização de hotéis

A tragédia envolvendo o sequestro e assassinato de uma adolescente de 14 anos em Lucas do Rio Verde ecoou na Câmara de Vereadores. Durante o uso da tribuna na sessão ordinária, a vereadora Débora Carneiro fez um forte apelo pelo cumprimento das leis de proteção à infância e pediu o endurecimento das fiscalizações em hotéis, motéis e estabelecimentos congêneres no município.
O pronunciamento teve como pano de fundo a investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF). A jovem Cláudia Geovanna, de apenas 14 anos, foi sequestrada de dentro de um quarto de hotel na madrugada de 6 de agosto por integrantes de uma facção criminosa. Seu corpo foi localizado pelas equipes policiais no início da noite de quinta-feira, 13 de agosto, em uma cova em área de mata às margens da BR-163, logo após a ponte do Rio Verde.
Violação do Estatuto da Criança e do Adolescente
Em sua fala, a parlamentar destacou a clara violação da legislação federal e questionou como a jovem conseguiu se hospedar no local sem o acompanhamento ou autorização formal dos pais.
“Quero citar o artigo 82 do Estatuto da Criança e do Adolescente: é proibida a hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável. Essa menina se hospedou sem autorização dos seus responsáveis e com a autorização daquele estabelecimento. Ela não tinha a menor aparência de maior de idade; tinha a estrutura física de uma garota de 14 anos.”, descreveu Débora Carneiro, vereadora de Lucas do Rio Verde.
Cobrança por fiscalização e responsabilidade coletiva
A parlamentar ressaltou que a vítima e sua família já eram acompanhadas pela rede de proteção e pelo Conselho Tutelar. No entanto, ela defendeu que a tragédia escancara a necessidade de uma ação mais firme por parte do poder público e dos órgãos de fiscalização urbana.
Entre as medidas cobradas pela vereadora, destacam-se:
Fiscalização ostensiva: Cobrança direta aos fiscais do município para vistoriar como os estabelecimentos hoteleiros — especialmente os localizados às margens da BR-163 e em áreas vulneráveis à criminalidade — estão identificando seus hóspedes.
Atuação do Conselho Tutelar: Fortalecimento das reuniões e ações preventivas junto à rede de proteção para exigir o cumprimento do ECA pelos empresários do setor hoteleiro.
Atenção das famílias: Alerta aos pais e responsáveis sobre o monitoramento das companhias e círculos sociais dos adolescentes.
Para a vereadora, o caso expõe uma falha sistêmica que precisa ser corrigida com urgência para evitar novas tragédias na cidade. “Quando acontece um caso desse, o sistema em algum lugar falhou. A sociedade falhou, a família falhou. Precisamos estar em cima para que atrocidades como essa não voltem a acontecer em Lucas do Rio Verde”, concluiu.
Fonte: CenárioMT






