Delegada descreve passo a passo da ação de feminicida que incendiou mulher ainda viva em VG: “grotesca e premeditada”

Após a prisão de Gabryel Junio de Almeida Dirceu, apontado como autor do assassinato de Josivany Borges de Amorim, novos detalhes sobre o feminicídio ocorrido em Várzea Grande vieram à tona. A vítima teve a cabeça esmagada a pedradas e o corpo incendiado pelo criminoso, que ainda trocou de roupa e abandonou um chinelo chamativo para tentar dificultar sua identificação pelas autoridades. Josivany foi morta na madrugada da última segunda-feira (1º), e o suspeito foi recapturado uma semana depois, nesta segunda-feira (8).
Em entrevista à imprensa nesta terça-feira (9), a delegada Jéssica Assis, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação, classificou a ação de Gabryel como grotesca e premeditada. Segundo ela, a versão apresentada pelo suspeito — de que a vítima teria tentado atacá-lo com uma faca — reforça os indícios de feminicídio. Em depoimento, ele afirmou que Josivany carregava uma faca na bolsa.
“Há uma contradição, especialmente nesse ponto, porque a gente observa que a bolsa estava sendo carregada por ele e há uma contradição no próprio desenho que ele faz dos fatos”, explicou a delegada.
Além do feminicídio, Gabryel também deve responder por estupro. Conforme a investigação, ele teria oferecido entorpecentes à vítima em troca de uma relação sexual. Diante da recusa, Josivany teria sido arrastada para uma área de mata, onde foi abusada e, posteriormente, assassinada.
“Porque ele diz: ‘ah, ela disse que não queria eu empurrar ela para o mato’. Como é que ele pode alegar perante a autoridade policial, como é que ele pode crer para si mesmo uma versão de que houve uma relação sexual consentida ali, se a vítima disse que não? Então eu acredito que, na verdade, isso é um argumento que reforça ainda mais a versão do feminicídio e que coloca uma luz muito grande sobre quão grotesca foi toda a atuação dele e quão premeditada foi a questão de ele tentar ocultar o corpo”, asseverou a delegada.
As imagens de câmeras de segurança tiveram papel fundamental na elucidação da dinâmica do crime. Conforme já informado pela reportagem do Olhar Direto, durante cerca de três horas na madrugada da segunda-feira, Gabryel permaneceu com a vítima e a deixou à beira da morte. Em seguida, saiu do local, trocou de roupa e foi até um posto de combustível buscar um galão para incendiar o corpo. Segundo a investigação, Josivany ainda apresentava movimentos, mas não conseguia falar e, mesmo com sinais vitais, teve o corpo incendiado.
“As filmagens nos revelam também que esse agressor chega com essa vítima naquele terreno baldio com uma roupa e ele retorna cerca de uma hora depois com outra vestimenta. Ele passa numa casa abandonada na região central de Várzea Grande e troca de roupa, para quê? Para que ele não fosse identificado por meio de filmagens. Além disso, quando ele sai da região do local do crime, descarta mais vestimentas que estava usando, porque utilizava um chinelo chamativo. Todas essas roupas foram apreendidas numa casa abandonada na região central de Várzea Grande e, no momento em que ele foi preso, conduziu novamente a equipe de investigação ao local onde havíamos encontrado o chinelo na semana passada, porque havia mais roupas lá. Essas peças serão periciadas e apresentam manchas que podem ser de sangue humano”, explicou a delegada.
Gabryel teve a prisão em flagrante convertida em preventiva após passar por audiência de custódia e permanecerá detido durante o andamento do inquérito policial. O corpo de Josivany segue no Instituto Médico Legal (IML), onde passa por exames periciais que podem esclarecer outros detalhes do crime.
(Olhar Direto)






