Corrida ao Palácio Paiaguás: Quem são os 11 pré-candidatos que movimentam os bastidores ao Governo de MT para as Eleições 2026

Corrida ao Palácio Paiaguás: Quem são os 11 pré-candidatos que movimentam os bastidores ao Governo de MT para as Eleições 2026
Veja os nomes cotados serem pré-candidatos ao governo de Mato Grosso Foto: Tonico Pinheiro/Secom-MT/Agência Senado/Reprodução/Instagram/Divulgação/CenárioMT

A engenharia política que definirá os rumos do principal polo agrícola do país já está operando em rota de colisão silenciosa nos bastidores do poder. Embora o calendário oficial das convenções partidárias ainda dependa das janelas da Justiça Eleitoral, as articulações de bastidores para as Eleições 2026 colocam um tabuleiro de alta competitividade no radar do eleitorado de Mato Grosso. A disputa pelo Palácio Paiaguás atrai nomes de diferentes correntes ideológicas, exibindo uma clara predominância de palanques ligados ao campo conservador e produtivo.

O desenho eleitoral ganhou contornos definitivos com a saída estratégica de Mauro Mendes (União Brasil), que deixou a cadeira de governador para se concentrar na disputa por uma vaga ao Senado Federal. Sem a possibilidade de reeleição direta do antigo titular, a cadeira do Executivo estadual tornou-se o ativo mais cobiçado da República regional, atraindo pelo menos 11 pré-candidatos dispostos a encarar as urnas. Conheça o perfil, as forças e os nomes que movimentam o cenário político mato-grossense a partir desta semana.

Os principais nomes da sucessão estadual

Abaixo, detalhamos o perfil dos prováveis pré-candidatos que buscam viabilizar suas candidaturas junto às bases partidárias e setores econômicos:

Otaviano Pivetta (Republicanos)

Atual governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta assumiu o comando do Palácio Paiaguás após o desimpedimento de Mauro Mendes para a pré-campanha do Senado. Produtor rural de larga escala e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos, Pivetta entra no jogo como o herdeiro natural e o principal representante da continuidade do modelo fiscal e de infraestrutura implantado no estado desde 2019. Ele trabalha para unificar o apoio do agronegócio e das principais lideranças conservadoras.

Wellington Fagundes (PL)

O senador Wellington Fagundes desponta como o principal quadro do Partido Liberal (PL) para tentar o controle do Executivo. Médico veterinário de formação e parlamentar veterano com mais de três décadas de trânsito em Brasília, Wellington busca dar a volta por cima após a derrota na disputa ao governo em 2018. Ele conta com o aval do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e com a capilaridade do eleitorado fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, embora ainda lide com divergências internas em suas bases locais.

Jayme Campos (União Brasil)

Um dos políticos mais tradicionais e influentes da história recente de Mato Grosso, o senador Jayme Campos avalia o retorno ao comando do Executivo. Com bagagem que inclui passagens pela prefeitura de Várzea Grande e pelo próprio governo do estado na década de 1990, Jayme está no meio do seu segundo mandato no Senado Federal. Sua viabilidade eleitoral depende da costura de acordos na federação União Progressista, onde disputa espaço com a ala governista que prefere caminhar com Otaviano Pivetta.

Natasha Slhessarenko (PSD)

A médica Natasha Slhessarenko se posiciona, até aqui, como a única representante feminina na disputa majoritária pelo governo. Filiada ao PSD, ela surge como o principal palanque de sustentação e diálogo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Mato Grosso, angariando a simpatia e o apoio da Federação Brasil da Esperança (composta por PT, PV e PCdoB). Natasha busca furar a bolha da polarização e se firmar como uma alternativa de centro-esquerda ao domínio conservador.

Os empresários e nomes da nova política

O cenário para as Eleições 2026 também abre espaço para apostas do setor privado e lideranças que apostam no discurso da gestão corporativa e da renovação de quadros:

Marcelo Maluf (Novo): Conhecido empresário da construção civil e fundador do Grupo São Benedito, foi lançado pelo partido Novo com uma plataforma defendendo o liberalismo econômico e a aplicação de práticas privadas na máquina pública;

Alex Pucinelli (Democratas): Investidor com forte atuação nos segmentos de infraestrutura e energia elétrica, constrói uma linha de discurso focada na renovação administrativa após os ciclos de Mauro Mendes, elegendo a educação em tempo integral como prioridade;

Maurício Tonhá (Democracia Cristã): O empresário “Maurição”, liderança nacional do setor de leilões pecuários à frente da Estância Bahia, carrega o DNA do agronegócio para a disputa e busca consolidar o apoio de fatias expressivas do movimento bolsonarista no interior;

Maurício Coelho (Mobiliza): Presidente do Instituto Brasil Cooperado, constrói sua pré-candidatura focado na pauta de redução do custo de vida e adota uma postura de austeridade, prometendo recusar recursos do fundo eleitoral;

Caiubi Kuhn (PDT): Professor universitário e geólogo vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi o nome escolhido pelo PDT para garantir que o partido tenha palanque e candidatura própria focada no debate técnico do desenvolvimento sustentável;

Rafaell Milas (MBL): Publicitário, analista político e produtor de conteúdo digital, o jovem ativista ligado ao Movimento Brasil Livre tenta canalizar sua forte inserção nas redes sociais em intenções de voto no ambiente real das urnas.

O que está em jogo no Palácio Paiaguás?

Apesar da lista robusta de pretendentes ao cargo, o ambiente partidário passará por afunilamentos severos até o registro oficial das chapas. As costuras de bastidores para as vagas de vice-governador, as duas cadeiras disponíveis ao Senado Federal e o desenho das coligações proporcionais devem reduzir e concentrar o número de candidaturas reais ao longo do segundo semestre.

O futuro gestor de Mato Grosso herdará um estado com as contas saneadas, mas enfrentará desafios complexos de logística de transporte, gargalos de escoamento e, de forma prioritária, as demandas urgentes de segurança pública contra o avanço das organizações criminosas e a necessidade de melhorias nos serviços de saúde e educação nos municípios do interior.

O Agro no CenárioMT: O voto que vem da terra

Como o maior produtor de grãos e carne do país, Mato Grosso tem uma tradição consolidada onde a política e a economia andam de mãos dadas. As lideranças de sindicatos rurais, cooperativas e associações de cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop desempenham papel decisivo na validação dos planos de governo dos candidatos. Os compromissos assumidos nas reuniões do setor agropecuário nos próximos meses ditarão o nível de investimentos em infraestrutura logística que o estado receberá pelos próximos quatro anos.

Fonte: CenárioMT

Astrogildo Aécio Nunes

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