Este país asiático quer abater 120 mil iguanas – e oferece R$ 85 por animal morto

Este país asiático quer abater 120 mil iguanas – e oferece R$ 85 por animal morto
O calor intenso dos últimos anos e a falta de predadores naturais favoreceu o crescimento da população de iguanas — Foto: Wikimedia Commons

Na tentativa de frear o avanço das iguanas-verdes (Iguana iguana), Taiwan anunciou que sacrificará 120 mil desses répteis em 2025, por meio de incentivos à caça. Esses animais não nativos foram introduzidos há mais de 20 anos no território como pets exóticos. Mas, abandonados na natureza, eles conseguiram se adaptar ao novo ambiente e se multiplicar rapidamente.

Embora não representem riscos aos seres humanos, o principal problema relacionado ao crescimento dessa população envolve o desequilíbrio dos ecossistemas locais. Além disso, ela ainda ameaça as plantações, que os répteis costumam atacar em busca de alimento.

Os machos da espécie crescem até dois metros de comprimento, pesam 5 kg e vivem duas décadas. Por sua vez, as fêmeas podem botar cerca de 80 ovos a cada novo ciclo reprodutivo. Daí a percepção do governo de que medidas de contenção devem ser desenvolvidas o quanto antes.

Caça às iguanas

A Agência Florestal e de Conservação da Natureza de Taiwan acredita que aproximadamente 200 mil répteis vivam nas áreas sul e central da ilha. Como destaca o jornal Al Jazeera, por lá, as equipes de caça recrutadas mataram cerca de 70 mil iguanas em 2024, com recompensas de até US$ 15 (R$ 85) cada.

No geral os caçadores amadores, que incluem fazendeiros, cozinheiros e tantos outros profissionais liberais, utilizam em suas expedições de busca estilingues e varas de laço. A experiência de caça de muitos deles é restrita a um curso do próprio governo taiwanês para capacitá-los contra os répteis.

Principalmente nativos da América Central, as iguanas não são agressivas, apesar de possuírem caudas e mandíbulas afiadas e dentes como navalhas. Os répteis subsistem com uma dieta composta principalmente de frutas, folhas e plantas, com um pequeno animal ocasional — Foto: Wikimedia Commons
Principalmente nativos da América Central, as iguanas não são agressivas, apesar de possuírem caudas e mandíbulas afiadas e dentes como navalhas. Os répteis subsistem com uma dieta composta principalmente de frutas, folhas e plantas, com um pequeno animal ocasional — Foto: Wikimedia Commons

“Tem dias que temos sorte e pegamos 300 iguanas em uma caçada. Mas algumas vezes saímos com apenas dois ou três… uma dúzia, no máximo”, explica Wu Cheng-hua, à agência AFP. O jovem de 25 anos trabalha em uma cafeteria pela manhã e, à tarde, junta-se a um grupo de caçadores contratados pelo Condado de Pingtung.

Há mais erros do que acertos nessas missões. Os homens disparam seus dardos de aço inoxidável nas criaturas de aparência pré-histórica, que estão no alto das árvores e protegidas por folhas e galhos, e os observam mergulhar vários metros no chão antes deles correrem para salvar suas vidas.

Por vezes, os caçadores amarram as pernas das iguanas capturadas, ainda vidas, para impedir que elas escapem. Os animais são deixados no chão ensanguentadas enquanto as buscas seguem vegetação adentro. No final da noite, os restantes são finalmente sacrificados e seus corpos são mantidos em um freezer até que possam ser incineradas pelo governo.

O grupo de direitos dos animais PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) pediu que Taiwan encontre “estratégias não letais” para controlar sua população de iguanas ou, se o abate for considerado necessário, para “minimizar o sofrimento” das criaturas. Vários caçadores disseram à AFP que seriam capazes de matar de forma mais eficiente e humana se pudessem usar armas de pressão, cujo uso é rigidamente controlado no país.

O que explica o boom de crescimento das iguanas?

Para Chen Tien-hsi, especialista em vida selvagem da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia de Pingtung, ouvido pela AFP, anomalias climáticas são as responsáveis pelo aumento no número de iguanas nos últimos anos. A falta de chuva sazonal e invernos excepcionalmente quentes ampliaram as taxas de eclosão e sobrevivência dos filhotes, o que criou “uma tempestade perfeita para um crescimento populacional explosivo”.

Apesar de recursos e mão de obra significativos gastos anualmente na remoção da população, o volume de animais continua a crescer exponencialmente. Para se ter uma ideia do problema, calcula-se que só em Pingtung de 2024 tenham sido abatidas 48 mil iguanas.

Mesmo com os esforços de caça e abate dos mais de 100 mil exemplares, especialistas e autoridades governamentais dizem que é improvável que eles irão erradicar os répteis no país.

(Por Arthur Almeida)

Astrogildo Aécio Nunes

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