Relíquias da 2ª Guerra são achadas em navio americano usado em Pearl Harbor

Relíquias da 2ª Guerra são achadas em navio americano usado em Pearl Harbor
Há quase 80 anos submerso, o USS Nevada já faz parte do ecossistema e diversos bichos podem ser encontrados vivendo em sua estrutura — Foto: NOAA

No dia 24 de março, durante uma expedição ao Oceano Pacífico, uma equipe da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA) conduziu uma operação no entorno dos destroços da embarcação USS Nevada, a qual foi utilizada pelos Estados Unidos durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. No mergulho, foram identificados diversos objetos deixados pelos militares ao longo dos anos.

Embora armas e munições tenham sido retiradas do navio antes dele ser desativado, algumas relíquias históricas do cotidiano dos marinheiros continuaram a bordo. É o caso, por exemplo, de colchões de beliche, pias, latas de tinta, armários de arquivos e até mesmo equipamentos extras – uma única bota repousa ainda amarrada no fundo do mar, mostram as imagens coletadas no local. Veja:

Toda a operação da NOAA foi transmitida ao vivo pelo seu canal no YouTube. Na gravação, a bota foi avistada como uma agulha em um palheiro, em meio a uma enorme pilha de correntes metálicas, localizada perto da proa do navio de guerra de 27,5 mil toneladas.

Uma inspeção mais detalhada revelou que o sapato estava se deteriorando, mas ainda tinha cordões amarrados. Como ele chegou lá provavelmente continuará sendo um mistério. Mas se supõe que um membro da tripulação o perdeu no navio há aproximadamente 80 anos.

USS Nevada

Construído em 1912 em Massachusetts, o USS Nevada foi oficialmente comissionado para a guerra em 1916. Na Primeira Guerra, operou protegendo os comboios que transportavam material dos EUA para a Grã-Bretanha, já na Segunda Guerra, desempenhou um papel mais importante ao ser o único navio a conseguir zarpar durante os ataques japoneses à base de Pearl Harbor em 1941.

De acordo com o Departamento de Defesa dos EUA, apesar do USS Nevada ter sido atingido por pelo menos cinco bombas, a sua tripulação conseguiu colocar o navio em movimento. Devido aos seus danos significativos, no entanto, ele não conseguiu chegar até a costa.

Como forma de recuperar a embarcação mais tarde, os marinheiros a bordo optaram por encalhar a sua estrutura em águas rasas. A escolha mostrou-se eficiente, à medida que as forças militares de fato conseguiram realizar um vigoroso trabalho de salvamento e reparo do barco algumas semanas depois.

Os tripulantes não tiveram a mesma sorte. Dos 1.500 marinheiros atuantes, 76 foram mortos ou feridos durante o ataque e nove deles seguem desaparecidos.

Novamente na costa oeste em abril de 1942, USS Nevada passou o resto do ano recebendo melhorias que o permitiram retornar para a linha de combate em maio de 1943. Após o fim da guerra, o navio, já em ruínas, foi designado para servir como alvo durante os testes de bomba atômica na região de Bikini, nas Ilhas Marshall, por volta de julho de 1946.

Os testes deixaram o barco ainda mais danificado e radioativo. Com isso, o seu naufrágio foi, por fim, ordenado. Após dois anos de inatividade, o USS Nevada foi rebocado para o mar nas ilhas havaianas e afundado por tiros e torpedos.

Redescoberta do navio

Oficialmente, o naufrágio foi redescoberto em 2020, a 5 mil metros de profundidade. E, como lembra o jornal Miami Herald, a visita da NOAA marca a primeira exploração do USS Nevada por telepresença.

Tal operação tinha como objetivo preencher lacunas na compreensão arqueológica e biológica do local do naufrágio. Entre os detalhes observados pelos cientistas estão chapas de metal encurvadas, que podem ter sido causadas pela explosão da bomba atômica.

(Por Arthur Almeida)

Astrogildo Aécio Nunes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posso ajudar?