Rara lâmpada de óleo de 1.700 anos é descoberta em Jerusalém

Arqueólogos desenterraram uma lâmpada de óleo de cerâmica extremamente rara, datada de 1.700 anos, do período romano tardio, durante escavações perto do Monte das Oliveiras, em Jerusalém. Decorada com símbolos judaicos, como a menorá do Templo, uma pá de incenso e um lulav (ramo de tamareira), a peça oferece um vislumbre único da cultura e da vida religiosa judaica após a destruição do Segundo Templo.
“O trabalho artístico requintado da lâmpada, encontrada completa, a torna uma peça excepcional e extremamente rara. Essa descoberta é particularmente surpreendente, pois temos pouquíssimas evidências da existência de um assentamento judaico em Jerusalém e arredores nesse período”, afirma Michael Chernin, diretor da escavação pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), em entrevista ao Heritage Daily.
A lâmpada pertence ao tipo “Beit Nattif”, nome dado em referência à oficina de produção identificada na década de 1930, perto de Bet Shemesh, a cerca de 30 quilômetros a oeste de Jerusalém. Esses oleiros eram conhecidos por suas ornamentações refinadas e pelo uso de moldes de calcário esculpidos com cinzéis e brocas. A argila era pressionada nesses moldes e queimada para criar o produto final. “Esse método permitia a criação de designs elaborados e decorações intrincadas”, explicou Benjamin Storchan, arqueólogo da IAA, ao IFLScience.
A descoberta ganha ainda mais relevância ao se considerar o contexto histórico. Entre 132 e 136 d.C., a revolta de Bar-Kochba, liderada por Simon bar Kokhba, resultou na repressão romana e na expulsão dos judeus de Jerusalém pelo imperador Adriano. Isso tornou os vestígios materiais da presença judaica na região entre os séculos III e V d.C. extremamente raros. “A lâmpada do Monte das Oliveiras é um dos poucos traços materiais que evidenciam a presença judaica em Jerusalém após a revolta”, afirmou Chernin.
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A menorá, um candelabro de sete braços que se tornou um símbolo judaico durante o período do Segundo Templo, adquiriu um papel central na memória coletiva judaica após a destruição do Templo. Objetos como lâmpadas de óleo com esse símbolo podem ter evocado a sensação de acender a menorá do Templo, conectando a vida cotidiana à fé.
O Ministro do Patrimônio de Israel, Rabino Amichai Eliyahu, ressaltou a importância cultural do achado: “Essa lâmpada de óleo única, com os símbolos do Templo, conecta as luzes do passado à celebração do Hanukkah hoje, refletindo a ligação duradoura do povo judeu com sua herança e a memória do Templo.”
A lâmpada será exibida ao público durante o feriado de Hanukkah (25 de dezembro a 2 de janeiro), no Centro Nacional de Arqueologia da A.S. J. e Gini Schottenstein, em homenagem à conferência sobre patrimônio organizada pelo Ministério do Patrimônio. Além de também serem expostos moldes de pedra usados na produção de recipientes de cerâmica semelhantes.
(Por Redação Galileu)






