A escandalosa história de Margaret Hughes, considerada a 1ª atriz de teatro

Muitos historiadores consideram que Margaret “Peg” Hughes se tornou a primeira mulher a atuar em um teatro quando interpretou o papel de Desdêmona em “Otelo, o Mouro de Veneza”, de William Shakespeare, no Vere Street Theatre nos anos 1660.
A atriz de Londres, Inglaterra, movimenta boatos até hoje devido à sua trajetória escandalosa envolvendo seus relacionamentos amorosos. A história de vida dela foi relembrada pelo Guinness World Records nesta terça-feira (9).
Hughes também foi a primeira mulher a interpretar Desdêmona, esposa do protagonista Otelo. Em 6 de fevereiro de 1669, Samuel Pepys, funcionário da administração naval inglesa, documentou uma apresentação da peça estrelando a inglesa.
Naquela época, a chegada da primeira atriz aos palcos, aos 30 anos de idade, abalou a sociedade inglesa. Embora o público dos teatros tivesse recebido bem as mulheres nos palcos, a profissão ainda enfrentava ceticismo e escrutínio moral da população geral. “As artistas femininas podiam ser acusadas de promiscuidade, e os atores masculinos não estavam ansiosos para compartilhar lucros e holofotes com suas colegas”, conta o Guinness.
A carreira de Hughes também começou em meio a mudanças políticas dramáticas: na época, foi restaurado o domínio do rei Charles II. Frequentador de teatros, em 1642, o monarca derrubou a proibição que havia sido imposta pelo governo anterior, liderado pelos puritanos; assim, permitiu que dramaturgos voltassem a brilhar.
Vida amorosa
Hughes e outras atrizes acabaram superando as pressões sociais em torno de seus papéis, tornando-se influentes. Elizabeth Barry, por exemplo, ficou famosa por seus espetáculos e altos lucros, enquanto a artista Nell Gwyn virou amante de longa data do rei na época.
Assim como a colega, Margaret Hughes também supostamente teve um relacionamento com Charles II, ainda que breve. Sua vida amorosa era frequentemente alvo de rumores escandalosos; Pepys chegou a escrever sobre um envolvimento da atriz pioneira com Sir Charles Sedley, famoso dramaturgo da época.
Mas o relacionamento que mais gerou burburinho foi o que ela teve com um influente oficial do exército, príncipe Rupert do Reno. Com o patrocínio do nobre, Hughes alavancou seu status, chegando a uma das duas melhores companhias teatrais naquele período.
Por Rupert, a aclamada atriz acabou deixando os palcos por volta de 1670. Os dois nunca se casaram, mas o companheiro da artista reconheceu a filha deles, presenteando Hughes e a garota com joias e dinheiro.
Mas esse afastamento profissional da atriz não durou muito: ela retornou ao teatro com a prestigiosa Duke’s Company em 1676.
(Redação Galileu)






