Grandes saques cessaram após agentes da PF serem descobertos dentro do TCE, revela investigação

Grandes saques em dinheiro vivo praticamente cessaram após agentes da Polícia Federal serem “descobertos” durante uma diligência velada dentro do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). É o que aponta o relatório da Polícia Federal que embasou a Operação Tomada de Contas. Na ação policial, o presidente da Corte, Sérgio Ricardo, e mais cinco pessoas foram presas.
PF atuou disfarçada no TCE para investigar saques e teve diligência interrompida por seguranças
No sábado (30), o Olhar Direto informou que agentes atuaram disfarçadamente no Tribunal para investigar saques em espécie feitos por pessoas ligadas a Sérgio. Durante a diligência velada, porém, os investigadores foram “interceptados” pela equipe de segurança interna do órgão e acabaram impedidos de continuar o acompanhamento dos suspeitos.
A própria PF classificou essa diligência, ocorrida em 14 de outubro de 2025, como um “marco divisor” na rotina de movimentações financeiras que vinha sendo monitorada.
Naquela manhã, policiais estiveram nas dependências do TCE utilizando uma “história cobertura” para observar a movimentação na agência do Sicoob instalada dentro do complexo. Os agentes presenciaram uma operação envolvendo Roseli Loss, chefe de gabinete de Sérgio, e Adriangelo Barros Antunes, apontado pela investigação como um dos operadores ligados ao grupo.
Segundo o relatório, Roseli foi vista na área dos caixas, enquanto Adriangelo entrou na agência carregando uma mochila aparentemente vazia. Depois da movimentação bancária, os investigadores perceberam que a mesma mochila aparentava estar cheia.
Um dos policiais tentou acompanhar Adriangelo depois que ele deixou a agência e passou pelas catracas de acesso aos demais prédios do Tribunal. A tentativa, porém, foi interrompida quando o agente foi abordado pela segurança interna do TCE, circunstância que, conforme a PF, comprometeu o sigilo da diligência e levou ao encerramento da operação de campo.
A partir daquele episódio, a Polícia Federal identificou uma mudança brusca no comportamento financeiro investigado. O relatório afirma que houve uma “abrupta e imediata cessação” dos provisionamentos e saques em espécie que vinham ocorrendo de maneira recorrente na agência do Sicoob, especialmente nas movimentações relacionadas ao conselheiro Sérgio Ricardo.
A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira apontou que o próximo saque comunicado só voltou a aparecer aproximadamente seis meses depois, em 11 de maio de 2026. Na ocasião, foram retirados R$ 100 mil, valor considerado muito inferior aos montantes que vinham sendo sacados anteriormente.
Antes disso, em 30 de janeiro de 2026, foram registrados dois provisionamentos de R$ 400 mil cada, totalizando R$ 800 mil. Apesar da reserva do dinheiro para eventual retirada, os valores não chegaram a ser sacados.
Para os investigadores, a mudança não teria ocorrido por mera coincidência. A PF levantou a hipótese de que a descoberta da presença dos agentes dentro do TCE colocou os investigados em alerta e provocou uma alteração na forma como as movimentações passaram a ser realizadas.
Essa interpretação também aparece na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou as prisões preventivas e outras medidas da Operação Tomada de Contas. Segundo o ministro, após a diligência de outubro de 2025, os grandes saques presenciais foram temporariamente reduzidos, houve acúmulo de valores nas contas e também aplicações financeiras.
A decisão destaca ainda que as movimentações voltaram a ser registradas em maio de 2026. Para o STJ, os elementos indicavam que a atividade investigada não teria sido simplesmente interrompida, mas possivelmente adaptada após a percepção de que havia uma investigação policial em andamento.
A Operação Tomada de Contas investiga suspeitas de pagamentos irregulares, saques milionários em espécie e possível desvio de recursos públicos no âmbito do Tribunal de Contas.
(Olhar Direto)






