Angeliquinha não vai ter contato com outras presas e será vigiada de perto por policiais

De volta ao presídio Ana Maria do Couto May, de onde fugiu em agosto de 2025, Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, vai ficar isolada das demais detentas da unidade prisional e terá uma rotina de maior restrição em relação aos direitos carcerários. Isso porque, a 5ª Vara de Sino determinou que ela cumpra a pena no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
“É um isolamento, então ela tem direitos de prisioneira cerceados, dentro do que determina a Lei de Execuções Penais. Então, ela tem um período menor de visitas, ela fica isolada, sem contato com outras presas e o banho de sol. Os períodos de que ela possa sair da cela são menores. Também vai ter uma vigilância maior com relação às agentes prisionais, às policiais penais ali da Ana Maria do Couto”, detalhou o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas.
O delegado explicou que esse foi um pedido das próprias autoridades policiais em razão do risco que Angélica Saraiva impõe. O RDD a que ela está submetida tem validade de 180 dias, podendo ser prorrogado por outros períodos.
“Isso se deu em razão de ela ser uma prisioneira de altíssima periculosidade, ter 260 anos de condenação, fora os outros inquéritos e processos de ações penais em andamento. E por ser uma das líderes de organização criminosa”, relatou o delegado.
Os cuidados em relação a Angeliquinha ocorrem porque ela já fugiu da mesma penitenciária. Liderança da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na região de Alta Floresta, ela conseguiu aproveitar uma obra em andamento no presídio e fugiu sem ser vista pelas autoridades do local. A fuga foi realizada em conjunto com outra detenta de alta periculosidade, identificada como Jéssica Leal da Silva.
Devido à relevância dela na hierarquia da facção Comando Vermelho, a Polícia Civil de Mato Grosso se cercou de cuidados para fazer o recambiamento dela para Cuiabá. Inclusive, segundo o delegado, todo o processo de transferência, em menos de um mês, ocorreu dentro do prazo adequado, já que a prisão foi feita na Bolívia.
Inicialmente, ela adentrou ao Brasil por Corumbá (MS) e ficou detida na cadeia feminina daquele município, que faz fronteira com a Bolívia. Depois disso, foi feita a operação para trazê-la a Mato Grosso. Todo o processo foi feito de forma sigilosa para evitar que integrantes da facção pudessem resgatá-la.
“Você tem que fazer um esquema de segurança, é uma presa de altíssima periculosidade, com chance de ter algum tipo de reprimenda por membro de facção, então tem que haver uma supremacia de forças do Estado para que haja uma ação coordenada e planejada para que ela seja trazida para cá. Até por questões de segurança, não divulgamos data e tudo mais, isso aí é para o bem e para o interesse público”, colocou o delegado.
(MidiaJur)






