O trabalho que você não vê nas redes dos políticos

Por José Pedro
Você abre a rede social e encontra o vídeo de um político. Mais tarde, aparece outra publicação dele. Nos dias seguintes, novas mensagens chegam à sua tela. Para quem está acompanhando, pode parecer que basta publicar, apertar o botão de impulsionar e colocar dinheiro. Mas existe um trabalho por trás dessa presença que merece ser conhecido.
Uma publicação patrocinada envolve decisões que começam antes de o anúncio circular. Qual é o objetivo daquele conteúdo? A mensagem está clara? Como distribuir o investimento disponível? O que os resultados mostram e o que precisa ser revisto? É nesse conjunto de perguntas que o tráfego pago deixa de ser uma tarefa operacional e passa a fazer parte da estratégia de comunicação.
Nas eleições de 2026, a Zeepe atuou em 21 campanhas em Mato Grosso. Segundo nossa consolidação interna, foram aproximadamente R$ 4,55 milhões administrados em mídia no ecossistema Meta entre 16 de agosto e 1º de outubro. Mais do que o volume financeiro, essa experiência mostra a responsabilidade envolvida em acompanhar operações que exigem decisões diárias e têm prazo para terminar.
Na prática, o trabalho depende de uma relação constante com quem produz os conteúdos e coordena a campanha. Os dados ajudam a identificar o que desperta atenção, o que encontra dificuldade para circular e onde é necessário rever a distribuição. Quando essa troca funciona, o digital também contribui para as discussões sobre a comunicação.
Isso não significa que o investimento resolva qualquer problema. Dinheiro pode ampliar a distribuição de uma mensagem, mas não substitui uma proposta compreensível, uma trajetória ou a capacidade de conversar com as preocupações das pessoas. Um vídeo bem produzido pode dizer pouco. Uma gravação simples pode apresentar uma ideia com clareza. O trabalho começa por entender o que se quer comunicar.
Também é preciso olhar com cuidado para os números. Impressões contabilizam exibições, inclusive repetidas para uma mesma pessoa. Visualizações não significam, necessariamente, que um vídeo foi assistido até o fim. Curtidas não são votos. E nenhum relatório de anúncios permite afirmar, sozinho, quantos eleitores foram convencidos.
Das 21 campanhas atendidas pela Zeepe neste ano, oito tiveram candidatos eleitos. Esse resultado faz parte da nossa experiência, mas não seria correto atribuí-lo exclusivamente ao tráfego. Uma eleição reúne história política, propostas, alianças, mobilização, contexto e o trabalho de diferentes profissionais. A comunicação digital integra esse conjunto.
Um dos aprendizados que essa atuação reforça é a importância da constância. Durante a campanha, existe uma mobilização intensa para produzir conteúdo, apresentar ideias e estabelecer contato. Depois da votação, esse esforço corre o risco de ser interrompido, como se a relação construída tivesse cumprido sua única finalidade.
Para quem assume um mandato, porém, surgem novas responsabilidades de comunicação: explicar decisões, prestar contas e ouvir demandas. Quem não foi eleito, mas pretende continuar participando da vida pública, também precisa encontrar formas de manter um diálogo que tenha conteúdo e utilidade para as pessoas.
Continuidade não significa manter o ritmo de anúncios da campanha ou repetir indefinidamente o mesmo discurso. Significa compreender que a presença pública precisa acompanhar o trabalho realizado. A frequência tem valor quando existe algo relevante a comunicar.
O tráfego pago ajuda uma mensagem a circular. A qualidade da relação que se constrói depende também do que essa mensagem entrega. É por isso que a pergunta mais importante vai além de quanto investir para aparecer: o que o político tem a dizer — e a fazer — para que as pessoas tenham motivos para continuar acompanhando?
José Pedro é CEO da Zeepe, gestor de tráfego e estrategista digital político.
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